Sociedade

Navegação nocturna só para embarcações com segurança

César André

Gerentes de pequenas embarcações de transporte de passageiros que procedem  diariamente à travessia do embarcadouro do Kapossoka para a península do Mussulo e vice versa, estão preocupados com o horário estipulado, há dias, pela Capitania do Porto de Luanda, que vai até às 17H30, para os meios sem condições de segurança para a navegação.

Embarcações sem iluminação, bússola, rádios e salva-vidas proibidas de navegar à noite
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

O novo horário está a criar constrangimentos aos utentes das embarcações e às pessoas que residem naquela comuna do município de Belas, a maioria das quais trabalha no centro da cidade de Luanda  e  não só.
Na terça-feira, 8, vários funcionários públicos que residem na península do Mussulo pernoitaram na ponte cais do embarcadouro do Kapossoka, devido à medida imposta pela Capitania do Porto de Luanda.
Para solucionar o impasse, um grupo de marinheiros e mestres  de embarcações reuniu-se, na manhã de ontem, com responsáveis da Capitania do Porto de Luanda e da Administração do  Mussulo.
Ilídio Ramos,  um dos  responsáveis  dos marinheiros do embarcadouro do Kapossoka, disse ao Jornal de Angola que a Capitania do Porto de Luanda devia ser um pouco mais flexível no horário estipulado, porque quem sai prejudicado  com a medida é a população.
“Há clientes que deixam os seus serviços no centro da cidade às 17H30 ou às 18 horas e já não conseguem efectuar a travessia para a península  devido à medida  da Capitania de Luanda”, disse Ilídio Ramos.
O marinheiro pretende que a Capitania do Porto de Luanda reveja o horário estipulado, porque segundo ele neste período as embarcações podem navegar à vontade porque ainda está claro, mas a partir das 19h00 em diante, já está  escuro e não se consegue navegar  sem luz.
Em seu entender, se a medida  da Capitania do Porto de Luanda vigorar, durante o período  escolar os  alunos que estudam no outro lado do mar e que chegam depois das 18h00  ao embarcadouro, poderão passar por muitas dificuldades para chegarem às suas casas.
Ilídio  Ramos reconheceu que a medida da Capitania do Porto de Luanda foi decidida em função  da colisão entre duas embarcações, ocorrida a 31 de Dezembro passado,  que ceifou a vida de uma jovem de 21 anos, que se fazia transportar numa embarcação que não possuía condições para navegar à noite.
O acidente ocorreu às 19 horas, quando a embarcação, sem iluminação, saía do Mussulo  em direcção ao embarcadouro do Kapossoka e no regresso à procedência  colidiu com uma embarcação de recreio.

Reacção da Capitania
João Baptista Vicente da Capitania do Porto de Luanda diz não corresponder à verdade que aquele órgão do Ministério dos Transportes tenha proibido a navegação de embarcações além das 17 horas.
  “As embarcações estão autorizadas a navegar, a qualquer hora, desde que tenham as condições de navegação, nomeadamente os meios de segurança, iluminação, rádio, bússolas, coletes salva-vidas, bóias, e outros meios que fazem com que a navegação seja segura”, disse o responsável máximo da Capitania do Porto de Luanda.
O responsável disse que a informação dos marinheiros não corresponde à verdade, porque no mar existem regras e as embarcações autorizadas a navegar depois das 18h00 são aquelas que têm condições de  navegabilidade e segurança.
 “A proibição visa aquelas embarcações que não possuem condições de navegabilidade, nem segurança para tripulantes e passageiros”, disse o responsável para acrescentar que salvaguardar a vida humana é um dos objectivos da Capitania do Porto de Luanda.
Para o capitão João Baptista, alguns marinheiros e os mestres de pequenas embarcações que fazem a travessia para o Mussulo não “têm condições de navegabilidade, razão pela qual vamos começar a  actuar com força, no âmbito da Operação Mar Seguro”.
João Baptista recordou que a “Operação Mar Seguro”, lançada recentemente pelas autoridades marítimas e portuárias, veio inverter esse quadro negativo.
“Os utentes de embarcações estão muito  preocupados com a fiscalização rigorosa a que estão a ser sujeitos  e começaram a criar várias situações de desinformação”.

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