Sociedade

Novas esperanças no combate ao ébola

Osvaldo Gonçalves

A confirmação a 13 do corrente pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de que dois novos tratamentos testados em pacientes com ébola na República Democrática do Congo (RDC) mostraram que mais de 90 por cento das pessoas podem sobreviver, se tratados dentro de três dias após apresentarem os sintomas, foi recebida com esperança naquele país, que vive a segunda maior epidemia já registada da doença, mais de 1800 mortos.

Christian Lindmeier, porta-voz da OMS, disse terem sido feitas modificações à terapia dos pacientes que agora recebem um dos dois tratamentos testados recentemente, com Regeneron e mAb114.
Segundo ele, “um estudo monitorizado por um comité independente descobriu que estes tratamentos superaram outros dois aplicados.”
A eficácia dos novos tratamentos é maior no caso de pacientes tratados precocemente, pelo que o factor humano é importante no tratamento.
Os novos medicamentos foram testados em 700 pessoas e demonstraram ser seguros, com efeitos colaterais favoráveis, segundo a infectologista, que rejubilou: “pela primeira vez, temos um tratamento que combate directamente o vírus.”
Na RDC, as autoridades já anunciaram os primeiros casos de pacientes infectados, após 11 dias de tratamento em Goma, no leste do país.
As equipas médicas, que no terreno procuram conter esta epidemia de ébola, a 10ª na região, estão expostas a ataques e enfrentam as crenças locais. A OMS adverte que se as milícias continuarem as suas ofensivas, o surto da febre hemorrágica não poderá ser travado nas províncias de Nordkivu e Ituri, próximas das fronteiras com o Rwanda e o Uganda.
Além disso, muitos habitantes desconfiam dos médicos e equipas humanitárias governamentais, assim como dos medicamentos, havendo relatos sobre a divulgação intencional de informações falsas, nomeadamente que os remédios distribuídos nos centros de trânsito são causa de infertilidade e até de morte.
Os médicos e as ONG são vistos como invasores que querem ganhar dinheiro com a doença e há mesmo quem propale que o ébola é uma invenção ou o trabalho de demónios trazidos de fora.
Em Angola, onde a OMS instalou desde Julho o alerta pelo risco e eventuais casos provenientes da vizinha RDC, as autoridades afirmam-se preparadas para travar a doença.

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