Sociedade

Obras “infernizam” o trânsito na Avenida Deolinda Rodrigues

Edivaldo Cristóvão

Na avenida Deolinda Rodrigues, no sentido Luanda Viana, sobretudo no período da manhã e ao fim da tarde, o trânsito faz-se com alguma deficiência, em função do estreitamento da via, face aos trabalhos de macro-drenagem que estão a ser executados junto às instalações do Instituto Nacional de Estradas (INEA) até à base da Tcul.

Parte da Avenida Deolinda Rodrigues está condicionada ao trânsito devido mais uma vez a trabalhos de macro-drenagem
Fotografia: Mota Ambrósio | Edição Novembro

Os trabalhos de macrodrenagem, iniciados no princípio deste mês, têm a duração de dois meses, mas, enquanto isso, os automobilistas e transeuntes queixam-se das dificuldades para circularem na via em determinadas horas do dia, pelo que, muitas vezes, se vêem obrigados a encontrar outras alternativas para chegarem ao destino.
Nas horas de ponta, a situação é bem mais complicada e as vias alternativas não oferecem condições de circulação para quem pretende chegar a Viana, Catete ou até mesmo às províncias do Cuanza-Norte e Malanje.
Deste modo, os automobilistas sujeitam-se a longas filas durante largos minutos até ultrapassarem o ponto crítico, daí o desgaste das viaturas e também para quem pretende chegar ao destino a tempo. Enquanto persiste o imbróglio, os taxistas aproveitam - se e encurtam a via e, nesta condição, a população é quem mais sofre, porque acaba por desembolsar acima do valor estipulado.
Na mesma avenida, nos dois sentidos, há um outro ponto crítico junto à passagem do famoso Milénio, na Estalagem, no sentido Viana Luanda.
Não tem sido fácil circular neste perímetro, onde o trânsito obedece às regras do anda pára, pára anda.
Contactados pela Jornal de Angola, alguns automobilistas aplaudem o arranque das obras no sentido de garantir melhor conforto para os que circulam na via, mas, por outro lado, queixam-se da demora no trânsito.
Miguel Amado trabalha nas proximidades da Shoprite e reside em Viana, diz que não tem sido fácil chegar ao serviço, porque se perde muito tempo no trânsito. “Penso que não há necessidade de as obras continuarem a demorar. As empresas que não cumprem com os prazos contratuais deviam ser responsabilizadas criminalmente.”
Ângela Fernando trabalha na Vila Alice, mas, frequentemente, faz uso da Avenida Deolinda Rodrigues para se deslocar à Universidade
Utanga, em Viana, num percurso feito diariamente de táxi. Conta que nos últimos tempos o seu dia-a-dia tem sido um “inferno”, em função das obras em curso junto ao INEA e na Estalagem. “Tenho estado a chegar tarde quer em casa, quer na escola. Não sei quando terminam estas obras. Os táxis, muitas vezes, encurtam a via e somos obrigados a pagar a dobrar. Por exemplo, os taxistas que saem do Largo da Independência, em horas consideradas críticas, descarregam os passageiros junto ao Cavalo Branco. Os de Viana fazem a descarga na BCA. Infelizmente, são estes os transtornos.”
A jovem, que é estudante universitária, disse que, antes do início das obras, o trajecto até a Utanga fazia-se em 1h30, mas hoje consome mais de duas horas e meia. Acrescentou que, nos últimos dias, se torna difícil cumprir com a rotina habitual.
Na Avenida Deolinda Rodrigues, também conhecida como estrada nacional 230 ou de Catete, os automobilistas queixam-se da falta de iluminação, que também tem causado inúmeros acidentes que podiam ser evitados, mas a escuridão tem sido igualmente um dos obstáculos.
Além das obras de macrodrenagem, na Avenida Deolinda Rodrigues, estão também a ser construídas 13 paragens para táxis e autocarros. A obra está a cargo da empresa Carmon.
Um dos técnicos da Carmon, que pediu o anonimato, disse que os trabalhos têm a duração de um mês, mas garantiu que os serviços efectuados pela sua empresa não tem causado congestionamentos ao tráfego rodoviário.
“As nossas obras estão a ser feitas a 50 metros do fim do asfalto. Duas paragens já estão concluídas na zona da Estalagem. Cabe agora ao dono da obra (INEA) fazer os acabamentos”, precisou o técnico de Construção Civil.
O Jornal de Angola tentou contactar ontem o INEA, na qualidade de dona da obra, mas sem sucesso.

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