Sociedade

Oito casos de tuberculose por dia são anotados em Cacuaco

Maiomona Artur | Cacuaco

Pelo menos, oito casos de tuberculose são diagnosticados diariamente na Direcção Municipal da Saúde de Cacuaco, na sua maioria homens com idades entre 15 e 45 anos, deu a conhecer o responsável da área de combate à patologia daquela instituição.

As pessoas afectadas pela tuberculose devem continuar a fazer correctamente o tratamento
Fotografia: DR

Pedro Mayifuila disse ao Jornal de Angola que, de Janeiro a Setembro deste ano, foram registados na circunscrição 558 casos de tuberculose, dois dos quais resultaram em mortes, um aumento de 68 pacientes, em relação ao mesmo período do ano anterior.
De acordo com Pedro Mayifuila, o aumento dos casos de tuberculose deve-se à desobediência das orientações passadas pelas autoridades, bem como ao consumo desregrado de bebidas alcoólicas, aliado à má alimentação por parte de muitos pacientes.
Para reduzir os casos, o Departamento de Saúde Pública e Controlo de Endemias tem levado a cabo campanhas de sensibilização nas comunidades rurais, com o objectivo de esclarecer as medidas de prevenção da patologia.
“Muitos doentes, depois de notarem uma pequena melhoria no seu estado de saúde, desistem do tratamento”, disse o responsável lembrando que o processo da cura da tuberculose é prolongado, podendo durar entre seis e 18 meses, daí que muitos pacientes, depois de três meses de medicação, acham que já estão melhor e abandonam o tratamento.
O profissional de saúde disse que as pessoas afectadas têm de continuar a fazer o tratamento correctamente, para evitarem a proliferação da doença,
“pois existem casos em que um determinado paciente, por não cumprir à risca com a medicação, acaba por transmitir a doença a outro membro da família”, lamentou.
Garantiu que existe re-serva suficiente de medicamentos para o tratamento da doença, ao contrário do que sucedeu no ano transacto em que havia dificuldades para aquisição de fármacos essenciais.
Geremias Mateus, que padece da doença, manifestou-se satisfeito com a paciência e o carinho manifestado pelos técnicos da área de combate à tuberculose. Diagnosticado no Hospital do Sanatório, no presente ano, foi encaminhado para fazer o tratamento em Cacuaco, por residir naquela municipalidade, onde tem tido resultados satisfatórios.
Antónia Miguel lamentou o facto de ser discriminada no seio da própria família por, infelizmente, desconhecerem que a tuberculose tem cura. “Em casa, não posso partilhar a loiça, porque acham que serão contaminados. Mas tenho merecido toda atenção da classe médica”, desabafou.
Agostinho Jorge, outro paciente, disse que tem tido muitas dificuldades com a alimentação, uma vez que está desempregado e nem sempre consegue alimentar-se devidamente para cumprir com a medicação prescrita pelo médico.
“Devemos cumprir com o tratamento, independentemente do tempo que o mesmo durar, tendo em conta que o bem mais precioso de um indivíduo é a vida”, disse.

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