Sociedade

ONU pede mais ajuda para as vítimas da seca

O coordenador residente da ONU em Angola, Paolo Balladelli, pediu ontem à comunidade internacional e às organizações humanitárias que aumentem o seu apoio à população que vive as consequências directas da crise climática no Sul de Angola.

Coordenador residente da ONU em Angola, Paolo Balladelli
Fotografia: Arimateia Baptista| Edições Novembro

“O Sul de Angola está a sofrer as consequências devastadoras das alterações climáticas. As temperaturas em 2019 foram as mais altas dos últimos 45 anos e a seca está a aumentar a fome e a desnutrição, sobretudo nas províncias do Cunene, Huíla, Bié e Namibe”, disse Paolo Balladelli, no final do primeiro dia da sua missão à província do Cunene. O coordenador residente está a visitar a re-gião com a chefe do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) na África Austral e Oriental, Gemma Connell, e representantes da FAO, UNFPA, UNICEF, OMS, PNUD e PAM para observar, em primeira mão, a situação e a resposta no terreno, incluindo os projectos financiados pelo Fundo Central de Resposta a Situações de Emergência das Nações Unidas (CERF) para atender as necessidades humanitárias graves.
O número de pessoas a precisar de assistência humanitária em Angola atingiu 2,3 milhões no ponto mais grave da seca deste ano. So-mente no Cunene, pelo menos 80 por cento da população, cerca de 860 mil pessoas, precisavam de apoio urgente. “O número é três vezes mais alto do que o do começo do ano”, explicou Balladelli. “Graças aos fundos generosos do CERF, em 2019 conseguimos alcançar mais de 640 mil pessoas com intervenções vitais nas áreas da alimentação, saúde, nutrição, água e higiene nas quatro províncias mais fustigadas pela seca. Essas intervenções complementam os esforços empreendidos pelo próprio Governo para responder a esta grave situação e salvar vidas. No entanto, é preciso fazer mais e de forma urgente”, acrescentou.
As necessidades crescentes estão a forçar as famílias a tomarem medidas desesperadas para sobreviver, com meninas e mulheres a suportar as piores consequências da crise. “Em Caculuvale, ouvi histórias, que me partiram o coração, de famílias que estão a lutar pela sobrevivência e conheci crianças a sofrer de malnutrição severa. Os doutores explicaram que o número de casos são os mais altos em muitos anos”, disse Gemma Connell, do OCHA, o Escritório de Assuntos Humanitários das Nações Unidas. “Nas áreas rurais, as mulheres agora têm que andar longas distâncias para ir buscar comida e água para levar para casa, expondo-se ao risco de violência sexual. Por outro lado, o número de crianças que está a abandonar a escola não pára de crescer: as meninas porque têm de apoiar as mães e os meninos para ir com os pais à procura de pastagens para o gado”.
Durante as reuniões que mantiveram com representantes do Governo, incluindo com as vice-governadoras provinciais do Cunene e Huíla, a delegação da ONU saudou o compromisso do país de implementar medidas sustentáveis para mitigar os efeitos dos choques climáticos recorrentes. “Hoje, estamos a pedir recursos para responder às necessidades imediatas das comunidades afectadas pela seca”, disse.

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