Sociedade

Ordem dos Médicos sem candidato elegível

César Esteves

Nenhum dos quatro pré-candidatos a bastonário da Ordem dos Médicos de Angola conseguiu o número de subscrições para a candidatura ser aprovada, uma imposição resultante do estatuto da organização profissional e do regulamento eleitoral.

Ana Veríssimo da Costa
Fotografia: Contreiras Pipa| Edições Novembro

A informação foi avançada ontem, em conferência de imprensa, em Luanda, pela presidente da Comissão Nacional Eleitoral, Ana Veríssimo da Costa, sublinhando que cada pré-candidato está obrigado a reunir 15 por cento de subscrições do total da população médica eleitoral, que é de 1.428 médicos, entre nacionais e estrangeiros.
Ana Veríssimo da Costa adiantou que, por não terem apresentado o número de subscrições válidas, a Comissão Eleitoral deu aos pré-candidatos Mário Fresta, Elisa Gaspar, José Pascoal e Miguel Bettencourt dez dias úteis, de 16 a 29 deste mês, para regularizarem a situação.
Mário Fresta é o pré-candidato que, com 14,5 por cento, conseguiu o maior número de subscrições, seguido de Elisa Gaspar, com 9,9 por cento, José Luís Pascoal, 7,4 por cento, e Miguel Bettencourt, com apenas 3,2 por cento.
Por força da decisão de se dar mais dez dias aos pré-candidatos, a Comissão Eleitoral actualizou o calendário eleitoral, sendo agora o dia 27 de Março a data das eleições e o 2 de Abril o dia em que é divulgado o vencedor, que deve tomar posse a 12 de Abril.
Os candidatos Mário Fresta e Miguel Bettencourt disseram, ao Jornal de Angola, não se reverem na informação divulgada, por se tratar de um órgão constituído à margem dos estatutos da Comissão Nacional Eleitoral. O médico Miguel Bettencourt declarou que os membros da Comissão Nacional Eleitoral foram indicados pelo bastonário cessante.
Os pré-candidatos Mário Fresta, Elisa Gaspar e Miguel Bettencourt realizam, na segunda-feira, uma conferência de imprensa, para denunciarem actos que consideram irregulares e estão a manchar o processo eleitoral. Na quarta-feira, os três pré-candidatos enviaram uma carta aberta à Comissão Nacional Eleitoral, na qual denunciam “práticas negativas” do órgão eleitoral.
Na carta, os três candidatos informam que o regulamento estabelece que a Comissão Nacional Eleitoral deve dar a conhecer, no prazo de 15 dias, após a data limite da candidatura, as listas dos candidatos elegíveis para a publicação, no dia 3 de Dezembro, dos cadernos eleitorais, conforme determina o calendário eleitoral. No dia 17 de Dezembro, lê-se ainda na carta, estava prevista a publicação das listas dos candidatos, após o que começava um período de reclamação, para serem depois publicadas oficialmente as candidaturas elegíveis e os cadernos eleitorais definitivos. “A Comissão Nacional Eleitoral ultrapassou, de forma injustificada, todos esses prazos”, lê-se na carta dos três pré-candidatos.

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