Sociedade

Organismos do Estado são grandes devedores

César André

O registo de novos clientes da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) em Viana, no âmbito do regime pré-pago, iniciado no ano passado, decorre sem sobressaltos, apesar de haver uma lentidão no sistema de activação.

Clientes com dívidas avultadas por falta de pagamento do consumo de energia eléctrica
Fotografia: DOMBELE BERNARDO | EDIÇÕES NOVEMBRO

A informação foi avança-da ontem ao Jornal de Angola pelo director comercial do Centro  de Distribuição da EN-DE em Viana, Alberto Manuel, que garantiu estar a empresa a “trabalhar arduamente e a procurar formas de ultrapassar a questão”.
Alberto Manuel confirmou que a lentidão no sistema de activação do serviço pré-pago está na origem das enchentes registadas nos últimos dias na agência de atendimento ao público instalada no Centro de Distribuição de Viana. “Quero também aqui ressalvar que, à medida que entram em funcionamento novos postos de transformação de energia, as enchentes acontecem”, acentuou Alberto Manuel.
O município de Viana vai receber 293 postos de transformação, ao abrigo  de uma linha de crédito da China.
À medida que os postos instalados entram em funcionamento, às vezes em simultâneo, na ordem de três a cinco, os moradores das áreas abrangidas recorrem ao centro de Viana para serem registados na base de dados da ENDE. “Daí a razão das enchentes, sobretudo no início do ano”, explicou o director comercial da ENDE em Viana.
Diariamente, o Centro de Distribuição da ENDE em Viana activa entre 550 e 600 dispositivos do sistema de  energia pré-pago. O centro recebe  pedidos de moradores dos municípios de Viana, Icolo e Bengo e Quiçama, sendo estas as suas áreas de actuação.
O centro possui 58 mil clientes em Viana, 3.750 em Icolo e Bengo e 592 na Quiçama. As áreas contempladas com postos de transformação de energia são a Estalagem, Caop, Mulenvos de Cima e de Baixo, Capalanga, Catete, Quilómetros 36 e 44,  Kikuxi e todos os distritos do município de Viana.
O responsável pela área comercial confirmou a existência de dívidas avultadas de clientes da ENDE em Vi-ana por falta de pagamento do consumo e adiantou que os maiores devedores são or-ganismos do Estado e em-presas sedeadas em Viana, onde se encontra o maior par-
que industrial da província de Luanda.
“As dívidas contraídas estão estimadas em seis mil milhões de kwanzas”, revelou Alberto Manuel, que confirmou o envolvimento dos agentes oficiais na criação de “vários pontos de actuação” com vista à diminuição das enchentes nos balcões de atendimento do Centro de Distribuição de Viana. 
A ENDE está empenhada na instalação do equipamento pré-pago em zonas que tinham o sistema pós-pago. Alberto Manuel admitiu a probabilidade de “muitos clientes que estavam no sistema pós-pago” pretenderem fugir à dívida contraída, daí a razão de a empresa estar a ser cuidadosa no processo de activação do pré-pago.
“Quando tivermos que activar o pré-pago, temos de ter o cuidado de transferir a dívida do pós-pago para o pré-pago, à medida que os clientes forem comprar recargas, sendo esta uma forma de amortização da dívida”, salientou o director comercial do Centro de Distribuição de Viana.

Postos desactivados
Os proprietários de postos de transformação de electricidade instalados nos locais onde a ENDE possui serviços funcionais, têm de os desactivar e entregarem automaticamente os seus clientes ao Estado, representado pela ENDE, lembrou o director comercial do Centro de Distribuição de Viana, que disse estar a decorrer um processo de transição.
Alberto Manuel disse que a ENDE endereçou cartas aos revendedores de energia, nas quais a empresa pública exige que se desfaçam da actividade, porque é a única vocacionada para a distribuição de energia eléctrica.
O director comercial do Centro de Distribuição de Viana considerou “razoável” o exercício económico de 2018, porque a empresa conseguiu alcançar em 90 por cento os objectivos traçados.
A ENDE vai executar um novo projecto, denominado Eurobond, por via do qual vão ser instalados mais 80 postos de transformação de energia, que visa corrigir lacunas deixadas pelo projecto resultante da linha de crédito chinesa.
O Eurobond vai atender os locais em que foram danificados postos de transformação de energia e também condomínios erguidos onde anteriormente havia quintas.
O projecto vai arrancar brevemente, encontrando-se actualmente na fase de estudos pela Administração de Viana, município que, de acordo com o programa de investimento, vai receber quatro novas subestações.
“As obras podem começar dentro do primeiro semestre”, prognosticou o director comercial do Centro de Produção de Viana. As quatro novas subestações vão estar instaladas no Calumbo, Vila Flor, Porto Seco e Mulenvos.
Actualmente, o Centro de Distribuição de Viana tem 14 subestações, duas centrais e 820 postos de transformação de energia.

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