Sociedade

País tem apenas quinze médicos oftalmologistas

Manuela Gomes

O país dispõe apenas de 15 médicos oftalmologistas para atender a demanda, numa altura em que o instituto especializado atendeu no ano passado 44 mil pacientes com problemas de visão, dos quais um terço padecia de cataratas e carecia de cirurgia, disse ontem, em Luanda, a ministra da Saúde.

Pessoas com cataratas acorreram ontem em massa ao Hospital Geral de Luanda
Fotografia: Paulo Mulaza| Edições Novembro

Falando no Hospital Geral de Luanda, onde ontem teve início a quinta expedição de médicos espanhóis, afectos à Fundação Elena Barraquer, para observar pacientes com cataratas, Sílvia Lutucuta considerou a doença como uma causa que contribui para a cegueira.
Sílvia Lutucuta disse que o sector precisa colocar em cada unidade sanitária da rede primária pelo menos dois oftalmologistas, do leque de 30 mil médicos a recrutar em breve, com vista a ter serviços de oftalmologia robusto e em bom funcionamento a nível dos hospitais municipais.
“A oftalmologia também é uma área transversal e a sua intervenção deve começar a nível dos cuidados primários de saúde”, disse a governante que anunciou que alguns médicos oftalmologistas angolanos estão a ser formados no Instituto Oftalmológico de Angola, em Luanda, e outros em Benguela, “mas o número ainda não é o suficiente”.
Sílvia Lutucuta acredita que no âmbito do Plano Nacional de Formação de Quadros, a oftalmologia é uma das áreas prioritárias da qual o sector conta com o contributo da Fundação Barraquer que se propõe a oferecer bolsas de estudo para médicos angolanos, em Barcelona, onde já se encontra uma médica a especializar-se em tratamento de catarata.
A catarata é terceira causa de procura de cuidados de saúde na área de oftalmologia no país, disse a ministra da Saúde para quem o seu pelouro está a fazer um esforço a nível dos centros de referência de oftalmologia para melhorar as condições e operar os doentes sem muita espera.

Espanhóis regressam ao Hospital Geral de Luanda

Milhares de pessoas acorreram ontem de manhã ao Hospital Geral de Luanda, para serem observadas por especialistas espanhóis em oftalmologia, que regressaram ao país, quatro meses depois, para dar sequência a um programa de cirurgias a pelo menos 500 pacientes, de uma lista em que se encontram mais de 1500.
Sob os auspícios da Fundação Elena Barraquer, os médicos espanhóis realizam em Angola a quinta expedição, que deve decorrer até ao próximo dia 24, no Hospital Geral de Luanda, com apoio do Grupo Oshen, ABO Capital e Governo Provincial de Luanda.
A ministra da Saúde agradeceu a Fundação Elena Barraquer pelo apoio que tem dado à saúde ocular da população, mais precisamente ao tratamento das cataratas, anunciando que nesta campanha as consultas terão como prioridade os jovens, “sem deixar de lado os idosos”.
Sílvia Lutucuta reafirmou o compromisso do Ministério da Saúde em continuar a dar apoio estratégico a este tipo de missões, e garantiu que num futuro próximo o sector vai criar condições para realização de campanhas idênticas nas províncias do Cuando Cubango e Moxico.
“Por um lado estamos satisfeitos porque os intervalos de realização dessas campanhas estão cada vez mais curtos, e por outro, pensamos que com a ajuda deste importante grupo, podemos cada vez mais apostar na formação de alguns quadros na especialidade de oftalmologia”.
A Fundação Elena Barraquer esteve pela primeira vez em Angola no ano de 2014 e de lá para cá, já realizou 1.321 cirurgias às cataratas e tratou mais de 5.000 pacientes. Em Outubro do ano passado, realizou 250 cirurgias. Este ano, o grupo de especialistas integra um dos melhores oftalmologistas argentinos, Geraldo Valvecchia. Actualmente estão na lista de espera, desde o ano passado, mais de 1500 pessoas para serem operadas.

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