Sociedade

Paragem cárdio-respiratória mata bispo Dom Óscar Braga

Sampaio Júnior | Benguela

Dom Óscar Braga morreu no Hospital Geral de Benguela, vítima de paragem cárdio-respiratória, deu a conhecer o director provincial da Saúde, referindo que o bispo emérito católico era há muito tempo acompanhado pelos serviços de saúde local.

Dom Óscar Braga já era há muito tempo acompanhado pelos serviços médicos, em Benguela
Fotografia: DR

De acordo com Manuel Cabinda, na terça-feira, os serviços do INEMA foram chamados para prestar socorro ao prelado católico, "que já se encontrava em situação muito delicada, com uma paragem no sistema cárdio-respiratório e não resistiu às manobras de ressuscitação pela equipa médica, tendo morrido no final da tarde".

Tão-logo soube do infortúnio do prelado, o governador de Benguela, Rui Falcão, deslocou-se ao Hospital Geral e afirmou à imprensa “que a morte é um caminho ineviável”, salientando: “Temos todos, um dia ou outro, de uma forma ou de outra, morrer, porque faz parte da vida.”  Depois de considerar a morte do bispo uma perda irreparável, o governador de Benguela disse que “Dom Óscar Braga vai ficar dentro dos nossos corações”, salientando que de entre os seus ensinamentos devem ser perpetuados a honestidade, a humildade, a fraqueza, a fé num futuro e país melhor.

Condolências

O arcebispo de Malanje Dom Benedito Roberto, disse que o falecido era e continuará a ser uma figura nacional que vai merecer a recordação de todos. Dom Benedito Roberto, descreveu as brilhantes qualidades do malogrado realçando que Dom Óscar Braga deixa um legado para as futuras gerações e aconselha os jovens a seguir as suas peugadas na expansão do evangelho.

A conselheira arquidiocesana da Promaica, Rosa Albino Ndala, disse que Dom Óscar Braga deixa muitas recordações uma vez que “criou-nos uma história que nunca vai se apagar na vida da mulher, principalmente da Igreja Católica”, destacou.  O Governo da Província de Malanje, lamenta o passamento físico da importante figura que começou a sua missão nesta província, onde nasceu, considerando-o um destacado pastor que jamais abandonou as suas ovelhas.

O Conselho de Administração da Fundação Prosperar, endereça à Diocese de Benguela e à CEAST as mais sentidas condolências e roga que Deus receba Dom Óscar Lino Lopes Fernandes Braga e o guarde eternamente. Noutra nota, a União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) e a União Nacional de Artistas Plásticos (UNAP) referem-se ao passamento físico de Dom Óscar Braga como uma perda irreparável para os fiéis da Igreja Católica.
O Grupo Parlamentar da UNITA também associou-se à morte do prelado.

Mensagem do MPLA

O MPLA considera que Angola e a Igreja Católica, em particular, perderam uma das suas mais proeminentes personalidades, deixando um legado recheado de bons exemplos inerentes à dimensão da sua estatura intelectual e patriótica, religiosa e humana. Numa mensagem de condolências, o Bureau Político do MPLA considera que D. Óscar Braga foi “verdadeiro cultor do bem-estar das famílias angolanas” e notabilizou-se como criador de instituições de ensino e movimentos pastorais cultores da cidadania participativa. Entre essas instituições, destaca a PROMAICA (Promoção da Mulher Angolana na Igreja Católica), Irmãos Servos do Reino e o Escutismo.

O MPLA realça, também, o facto de D.Óscar ter tornado a Diocese de Benguela na jurisdição eclesiástica que mais formou sacerdotes angolanos. O partido maioritário em Angola sublinha, ainda, que o bispo católico teve uma vida repleta de lições de honestidade e intelectualidade, mansidão e altruísmo, inspirando várias gerações de angolanos que, no dia-a-dia, reflectem as manifestações práticas da filosofia de vida do prelado.

UNITA e FNLA

O Grupo Parlamentar da UNITA diz que, pela trajectória enquanto sacerdote, D.Óscar Braga tornou-se num dos mais notáveis pastores da Igreja Católica em Angola, pela sua dedicação na formação dos valores da paz, da democracia, do perdão, da reconciliação e desenvolvimento. O maior partido da oposição considera que D.Óscar Braga é “uma referência incontornável”, cuja memória lembra com enorme nostalgia. O Bureau Político da FNLA também lembra como “homem de diálogo e de consenso, de espírito de irmandade e amor ao próximo”.

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