Sociedade

Periferia de Malanje com surto de sarampo

Eduardo Cunha | Malanje

O surto de sarampo que se arrasta desde o ano passado está a causar a morte de muitas crianças na província de Malanje, devido à negligência, alegados factores culturais e/ou chegada tardia às unidades sanitárias, disse ontem o coordenador da área técnica, higiene e epidemiologia do Gabinete Provincial da Saúde.

Vista parcial de Malanje que regista um surto de sarampo desde o ano passado
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

Segundo João Dala, desde Março o sarampo já causou a morte de oito crianças, no bairro Quiriri, arredores da cidade de Malanje, uma das áreas mais afectadas pelo surto de sarampo.

João Dala deu a conhecer que duas crianças também perderam a vida nos últimos meses do ano passado, pelo facto de os parentes não terem procurado os serviços de saúde.

“O nosso foco tem sido fundamentalmente as crianças, apesar de estarem identificados alguns casos de malária em pessoas adultas. Prometemos enviar ao bairro Quiriri, na próxima semana, um grupo de técnicos da Repartição Municipal da Saúde, para fazer o controlo”, disse João Dala.

Segundo o coordenador da área Técnica, Higiene e Epidemiologia do Gabinete Provincial da Saúde, a população do bairro Quiriri não adere às campanhas de vacinação, acrescentando que uma das crianças que faleceu, vítima do surto de sarampo, com nove anos, apenas tinha sido vacinada uma vez.
Durante o primeiro trimestre deste ano, referiu, foram registados 285 casos de sarampo na província de Malanje.

O regedor do bairro Quiriri, Ribeiro Paulino, apontou a falta de unidade sanitária na localidade como um dos factores para o aumento de casos de sarampo, acrescentando que as pessoas são obrigadas a percorrer longas distâncias em busca de assistência médica e medicamentosa. Outro problema, disse Ribeiro Paulino, tem a ver com a falta dos principais serviços sociais básicos, com realce para a água e energia eléctrica.

O regedor de Quiriri apela às autoridades para a necessidade de se melhorar o abastecimento de água à população, principalmente nesta altura em que o país vive a pandemia da Covid-19, que requer a lavagem constante das mãos.

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