Sociedade

Planeamento familiar vai ser acompanhado

João Pedro e Arcângela Rodrigues|

O Executivo criou condições para a implementação do planeamento familiar, para que as mulheres angolanas em idade reprodutiva possam receber assistência médica de qualidade de forma a  contribuir para o desenvolvimento do país, disse ontem, em Luanda, o secretário de Estado para a Saúde Pública.

Planeamento é uma ferramenta fundamental para a população poder ter acesso à educação
Fotografia: Agostinho Narcíso| Edições Novembro

José Cunha, que falava durante o acto que marcou a celebração do Dia Mundial da População, assinalado ontem, sob o lema “O planeamento familiar é um direito humano”, disse que o planeamento familiar é uma ferramenta fundamental para que a população possa ter acesso à educação, saúde e a outros serviços públicos com qualidade e dignidade.
“Precisamos de cumprir todos os tratados sobre os direitos humanos,  para que até 2050 possamos atingir uma população estimada em 67 milhões de habitantes que devem viver com dignidade”, disse José Cunha.
O secretário de Estado para a Saúde Pública informou que em Angola a maior taxa de natalidade se verifica em zonas rurais, onde a falta de informação e razões culturais colocam as adolescentes entre as mais vulneráveis.
“Temos que usar todos os meios disponíveis desde as famílias, meios de comunicação social, entre outros, para que os jovens possam conhecer as condições para o planeamento familiar, para termos um país com famílias fortes e estruturadas”, frisou o governante.
A representante do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), Florbela Fernandes, afirmou que o planeamento familiar não é apenas uma questão de direitos humanos, é também fundamental para o empoderamento das mulheres, para se reduzir a pobreza e alcançar o desenvolvimento sustentável.
Para a diplomata das Nações Unidas, há necessidade de salvaguardar o direito fundamental de cada casal de decidir livremente sobre o espaçamento e o número de filhos que pretende ter.
Florbela Fernandes disse  que o Fnuap apoia o planeamento nos países em desenvolvimento, assegurando uma gama completa de contraceptivos modernos, fortalecendo os sistemas nacionais de saúde e promovendo a igualdade do género.
Para a representante do Fnuap, a sua agência está comprometida em continuar a apoiar os esforços dos países para defender o direito de os indivíduos, especialmente as mulheres, planearem uma família.
O Fnuap está empenhado em acabar com todas as necessidades não atendidas de planeamento familiar voluntário em países em desenvolvimento até 2030, com ajuda dos governos, sectores privados e da sociedade civil.
No Dia Mundial da População, a representante daquela agência das Nações Unidas em Angola apelou ao Governo que cumpra com os compromissos assumidos de assegurar o acesso universal aos cuidados de saúde sexual e reprodutiva e direitos reprodutivos, incluindo serviços e informação de planeamento familiar.

7.2 mil milhões de pessoas
A população mundial atingiu neste momento um total de 7,2 mil milhões e estima-se que a sua evolução venha a registar um aumento anual de 75 milhões de pessoas e até 2050 deverá  chegar a 9,6 mil milhões de habitantes, revela um relatório apresentado ontem, em Luanda.
O director do Centro de Estudos e Investigação em População da Universidade Agostinho Neto, que apresentou o relatório, disse que o crescimento populacional vai ser maior em países em desenvolvimento, bem como no continente africano.
Ndonga Mfuwa avançou que a população que vive em áreas urbanas vai atingir os 2,5 mil milhões em todo o mundo e, em 2050, 68 por cento do crescimento vai estar concentrado na Ásia e em África. Quanto à evolução da população mundial, actualmente, os dados revelam que aumentaram devido aos níveis de fecundidade em alguns países. Por exemplo, sublinhou, nos países de alta fertilidade da África Subsaariana, o número médio estimado de filhos por mulheres foi ajustado para mais de cinco por cento.
Segundo o académico, o relatório lembra que em al-guns países em desenvolvimento, especialmente em África, a população está a crescer rapidamente. 
O professor Lukombo Nzatuzola, que apresentou o tema “População e mercado de trabalho em Angola”, afirmou que a empregabilidade no país é péssima, alegando que se houvesse mais postos de trabalho em outras áreas a situação não seria preocupante.

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