Sociedade

Polícia trava burlões de divisas

André da Costa |

O Serviço de Investigação Criminal (SIC) deteve em Luanda sete cidadãos que se faziam passar por altos funcionários do Banco Nacional de Angola e tinham como principal actividade burlar valores monetários aos cidadãos e empresas, a pretexto de facilitarem a aquisição de divisas.

Quem utiliza o multicaixa tem de estar sempre atento à movimentação de pessoas suspeitas
Fotografia: Miqueias Machangongo | Edições Novembro

O chefe do departamento dos Crimes Financeiros, Fiscais e Tributários do SIC, superintendente-chefe Soares Sala, explicou ontem à imprensa que os burladores identificavam previamente as vítimas e mediante um contacto quer telefónico quer interpessoal se apresentavam como facilitadores para a aquisição de divisas e entregavam às vítimas os números de contas bancárias para estas efectuarem os depósitos dos valores acordados.
Uma vez consumado o depósito, os meliantes levantavam o dinheiro e desligavam os telefones, passando a usar outros contactos com outras vítimas.
O grupo, além dos sete detidos, era composto por outros cidadãos, em número não revelado pelo SIC e que se encontram em fuga.
Soares Sala deu a conhecer que o grupo começou com a prática de burla há já algum tempo, mas as primeiras queixas junto do Serviço de Investigação Criminal surgiram em Setembro passado, quando os lesados, inconformados com a perda dos seus valores monetários, recorreram às autoridades.
Para melhor convencer os burlados, os meliantes usavam passes de identificação do Banco Nacional de Angola, no sentido de levar as vítimas a acreditarem na idoneidade dos mesmos.   
O Serviço de Investigação Criminal não revelou o montante concreto do dinheiro que os burladores conseguiram angariar. 
Soares Sala disse que os grupos de meliantes usam várias formas para conseguir arrecadar dinheiro, principalmente tendo como alvo cidadãos estrangeiros que desconhecem a legislação financeira.
Algumas burlas são realizadas com a conivência de funcionários dos bancos comerciais e explicou o modus operandi dos mesmos.
Uma conta disponível num banco, o funcionário acessa a conta e sabe que nela tem avultadas somas que não são muito movimentadas pelo legítimo proprietário.
O funcionário bancário, com outras pessoas, procura formas de retirar grandes somas daquela conta.  O Serviço de Investigaçao Criminal toma conhecimento ou por via do lesado ou da direcção do banco.

Golpe às sextas-feiras

Outra burla em vigor na capital, adiantou Soares Sala, é a chamada burla das sextas-feiras, em que os meliantes se dirigem a um estabelecimento comercial e adquirem bens de grande valor, forjando talões de depósito.  Já em posse da mercadoria, desligam os telefones e os empresários ao irem confirmar o depósito, dias depois, constatam que nenhum valor entrou na conta da sua empresa.
Outro tipo de burla, muito frequente nos últimos tempos, segundo Soares Sala, envolve os cartões multicaixa, em que os meliantes se aproveitam das pessoas que têm dificuldade em manusear os referidos cartões. Simulando ajudá-las, os meliantes trocam o cartão por outro, falso, que trazem consigo.
Soares Sala fez referência, finalmente, à burla em que  pessoas mal intencionadas tentam vender geradores, viaturas e outros bens de grande valor, a preços baixos. Indicam números de contas bancárias  e uma vez consumado o depósito desligam o telefone e levantam o dinheiro em seu benefício.
O superintendente-chefe António da Conceição Paim, chefe em exercício do departamento de comunicação institucional e imprensa do Serviço de Investigação Criminal, apelou aos agentes económicos para terem muita cautela em relação às operações cambiais, que deverão fazer de forma legal na banca comercial. 
O SIC está em prontidão no combate à criminalidade e tem o compromisso de servir os cidadãos, disse, acrescentando que a instituição tem os números telefónicos 914044860 e 926661730 à disposição do público.

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