Sociedade

Polícias de fingir

Luciano Rocha

Os vestidos de polícias a desonrar a farda, pelos vistos, em Luanda, nem a pandemia lhes alterou a postura, o que os torna num dos grandes mistérios da província, onde está a capital do país.

Fotografia: DR

A atitude descarada dos vestidos de polícia que aviltam a corporação, por via da qual, ainda por cima, recebem um salário, pago por todos os contribuintes, ultrapassa todos os limites da compreensão. Nesta fase de enormes dificuldades que o país atravessa, agravada pela pandemia do novo coronavírus, o cidadão comum interroga-se por que razão aqueles desafiadores públicos da impunidade permanecem à “boa vida”, com frequência em convívio com infractores. Entre tantos casos, referidos vezes sem conta neste e noutros espaços deste jornal, contam-se o dos traficantes ilegais de moeda, que fazem da rua “casa de câmbios”, contribuindo para o enfraquecimento da já frágil economia nacional.

O escândalo da venda ilegal de dinheiro, de proveniência criminosa, é antigo, mas, por razões evidentes, acentua-se, agora, pelas dificuldades acrescidas devido à pandemia que enfrentamos, fazendo sobressair todas as nossas debilidades enquanto país. Neste caso, a sombrinha da impunidade não é apenas segurada pelos que fingem ser polícias, mas, igualmente, por quem está por trás delas e os que, em vários sectores, fingem que não sabem, nem vêem. No fundo, às claras ou na penumbra, uns e outros, são os que ligam os marimbondos ao balão de oxigénio que lhes permite continuar a percorrer os trilhos da pilhagem. Até quando?

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