Sociedade

População deve denunciar quem rouba medicamentos

Víctor Mayala | Mbanza Kongo

A ministra da Saúde pediu ontem à população, em Mbanza Kongo, capital da província do Zaire, para denunciar os técnicos de saúde que desviam medicamentos e material gastável das unidades sanitárias públicas e advertiu que o Ministério da Saúde vai ter mão pesada contra os que insistirem nessa prática.

Ministra da Saúde quando percorria áreas de serviço de uma unidade hospitalar do Zaire
Fotografia: Víctor Mayala | Edições Novembro

Sílvia Lutucuta, que falava no termo de uma visita de dois dias à província do Zaire,  confirmou que o Ministério da Saúde trabalha com o Ministério do Interior para travar a saída da rede pública de saúde de meios destinados aos doentes.
“Fazemos um apelo às pessoas para denunciarem sempre que ocorrerem si-tuações do género”, acentuou Sílvia Lutucuta, que, em Mbanza Kongo, entregou medicamentos essenciais aos hospitais provincial e municipal, centro de saúde de Kianganga e ao centro materno-infantil.
Sílvia Lutucuta alertou os responsáveis das unidades hospitalares para evitarem desvios de medicamentos e recomendou que cuidassem dos remédios como se fossem uma dádiva da igreja, com o argumento de que “ninguém rouba oferta da igreja”.
A ministra da Saúde recomendou ainda a realização de acções de formação contínua dirigidas a todos os técnicos de saúde da província do Zaire, para a melhoria da assistência médica e medicamentosa às populações.
A ministra destacou a im-portância da formação contínua, não apenas para a humanização dos cuidados de saúde, mas também para aprimorar a assistência.
A ministra da Saúde admitiu existirem vários desafios no sector, no domínio de recursos financeiros, humanos, infra-estruturas e também logísticos. Apesar de haver poucos recursos humanos disponíveis, existem no sector pessoas dedicadas à causa e que realmente vestem a “camisola” do doente, reconheceu a ministra. “Estamos a trabalhar”, garantiu a ministra da Saúde, acentuando que o Ministério tem metas a cumprir a curto, mé-dio e longo prazo.
A titular da pasta da Saúde manifestou a sua preocupação com o estado do laboratório de análises clínicas do Hospital Provincial do Zaire, que se debate com a falta de meios de diagnóstico, como reagentes. A falta de medicamentos é outro problema que enfrenta a unidade hospitalar pública, mas a ministra acentuou que a falta de medicamentos é um problema conjuntural.
Em Mbanza Kongo, a mi-nistra Sílvia Lutucuta constatou o grau de execução da  construção do Hospital Geral do Zaire, iniciada em 2014, tendo ficado paralisada por dificuldades financeiras.
A primeira fase já está concluída e a segunda arranca logo que sejam disponibilizadas as verbas, soube o Jornal de Angola de um responsável da CRBC, empresa que executa a empreitada.
A ministra da Saúde, que recebeu das mãos do governador provincial do Zaire, Joanes André, o relatório justificativo do custo do hospital, referente à segunda fase, informou que a construção da infra-estrutura está inserida no Programa de Investimentos Públicos do Minis-
tério para 2018.
Uma unidade hospitalar do género faz falta à província do Zaire, reconheceu a ministra Sílvia Lutucuta, que in-formou estar o hospital a ser construído para ter cerca de 300 camas e várias valências.
“Vamo-nos deparar com um desafio muito grande, que tem a ver com os recursos humanos para conseguir prestar melhores serviços”, disse a ministra, referindo-se ao futuro Hospital Geral do Zaire. A ministra afirmou que o concurso público, previsto para este ano, não vai resolver, em grande medida, os problemas desta unidade, porque vai precisar de médicos diferenciados e especialistas.
“Teremos que recorrer provavelmente à cooperação externa, para garantirmos os serviços desta unidade”, admitiu a ministra da Saúde, que, durante a sua estada, conversou também com estudantes do curso técnico médio de saúde de Mbanza Kongo, aos quais pediu maior dedicação aos estudos, por serem os futuros profissionais do sector.
Durante a sua permanência na província do Zaire, a ministra da Saúde deslocou-se também aos municípios do Nzeto, Tomboco e Soyo.

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