Sociedade

Possibilidade de vida cada vez mais remota

Um estudo realizado por uma dupla de astrobiólogos da Universidade de Edimburgo, na Escócia, e publicado na quinta-feira na revista "Scientific Reports", esmorece o entusiasmo dos que já viam como "quase iminente" a descoberta de vida no planeta Marte.

Veículo
Fotografia: HO | NASA | JPL-Caltech | MSSS | AFP

Segundo o estudo, a combinação entre as substâncias químicas do solo marciano e a forte radiação ultravioleta que bombardeia aquele planeta seria fatal para micro-organismos como as bactérias – ou seja, qualquer tipo de vida hipoteticamente surgida no passado teria sido eliminada pelas condições ambientais actuais.
Os cientistas recomendam que as futuras missões de busca de vida no planeta levem em conta as conclusões do estudo, "pois apenas os organismos enterrados dois ou três metros sob a superfície do solo estariam a salvo da radiação".
O estudo dos astrobiólogos foi baseado na descoberta de percloratos, que são substâncias com alto conteúdo de oxidantes, no solo marciano. Missões como a Viking, da Nasa, que pesquisou o planeta nos anos 1970, já haviam encontrado indícios da substância, que teve a existência confirmada pela sonda Phoenix, em 2008, e pelas missões posteriores Curiosity e Mars Reconnaissance Orbiter. Até agora os cientistas acreditavam que, apesar do químico ser altamente tóxico para os microrganismos, eventuais bactérias marcianas poderiam ter encontrado uma maneira de utilizá-lo como fonte de energia.
Para verificar essa possibilidade, Jennifer Wadsworth e Charles Cockell resolveram simular o ambiente marciano em laboratório e submeter a ele as bactérias Bacillussubtilis, que são encontradas no solo terrestre e habitualmente contaminam as sondas espaciais. Numa fase inicial, as bactérias foram expostas ao perclorato de magnésio e bombardeadas com radiação ultravioleta em níveis semelhantes aos de Marte.
Os pesquisadores perceberam que, com a presença do químico, os microrganismos morriam duas vezes mais rapidamente.
Numa segunda fase de testes, peróxidos e óxidos de ferro, que também existem no solo marciano, foram adicionados à combinação. Com as novas substâncias, as bactérias desapareciam onze vezes mais rapidamente do que no ambiente composto apenas por perclorato e radiação.
“Apesar de suspeitarmos dos efeitos tóxicos dos oxidantes na superfície marciana há algum tempo, as nossas observações mostram que o solo actual de Marte é altamente deletério para as células, como resultado de uma combinação tóxica de oxidantes, óxidos de ferro, percloratos e radiação ultravioleta", afirmam os autores do estudo.
Mas o novo estudo não elimina a possibilidade de existir vida em Marte, segundo os cientistas. Isso porque ela pode eventualmente ser encontrada no subsolo – onde estaria protegida das fortes radiações – ou mesmo aproveitar-se das baixas temperaturas para se proteger.
O presente estudo ao acabar praticamente com a possibilidade de existência de vida - mesmo que microbiana - à superifície do planeta Marte, transfere essa possibilidade para as camadas do subsolo, pelo que muito ainda há  esperar das futuras missões.

Tempo

Multimédia