Sociedade

Processo de investigação de falsos médicos em curso

Rodrigues Cambala

A Ordem dos Médicos de Angola vai fornecer, no quadro do seu plano estratégico 2019-2020, um terminal telefónico, para a campanha de denúncia de técnicos e profissionais não qualificados.

A Ordem dos Médicos já tem preparado o seu Plano Estratégico para o próximo ano
Fotografia: Alberto Pedro | Edições Novembro

A bastonária Elisa Gaspar evitou entrar em detalhes, relativamente à investigação sobre falsos médicos, argumentou não querer comprometer o processo em curso, com alguns órgãos competentes.
“Não temos um número total (…). Estamos a trabalhar e no final, vamos dizer o número de falsos profissionais. Não é bom, dizer agora, para não atrapalhar a investigação”, avançou.
Elisa Gaspar falava ontem, à imprensa, no final da tomada de posse da nova presidente do Conselho Provincial de Luanda da Ordem dos Médicos, afirmou que o desafio da organização é lutar e defender a classe médica, para que cada profissional seja um agente de educação para a saúde e defensor da medicina preventiva e curativa.
Para tal, a médica pediatra realçou, que a organização vai, primeiro, rever os estatutos, lutar para a melhoria das condições de trabalho da classe e instituir internatos de especialidade, a nível de outras províncias do país.
Outra intenção da bastonária é fazer que cada médico seja, também, um defensor do seu paciente e que este, se sinta satisfeito e saiba o nome do profissional que o atendeu no hospital.
“O paciente quando voltar, à uma próxima consulta, deve saber o nome do médico que está a acompanhá-lo. Infelizmente, em Angola, não estamos acostumados e os pacientes não conhecem o nome do médico que o atendeu”, disse.
Elisa Gaspar defendeu, que a humanização não é só para os médicos ou para serviços de saúde, mas deve servir para todos os cidadãos.
Sobre a valorização de quadros, admitiu, haver muitas dificuldades para se compreender a função e os limites do médico. “É bom, que cada um tenha orgulho da sua profissão e saiba os seus limites”, realçou.
Sobre a polémica instalada, entre a Ordem dos Enfermeiros e a dos Médicos, Elisa Gaspar evitou falar sobre o assunto, por ser mal compreendida.
“Estava numa reunião de médicos e a falar para médicos e não para enfermeiros. A bastonária defende os médicos e não os enfermeiros”, acrescentou sem mais avançar pormenores.

Núcleo de Luanda
A médica gino -obstetra, Manuela Sotto Mayor, é a actual presidente do Conselho Provincial de Luanda da Ordem dos Médicos. Em declarações à imprensa, disse que a capital do país tem problemas ligados à especialização de médicos, formação contínua, a falta de condições sociais e emprego para os recém-formados.
“Os principais programas de saúde devem estar virados para os municípios e é fundamental, que as condições para os médicos sejam criadas”, salientou Sotto Mayor, sublinhou, que um médico atende, às vezes, 120 pacientes por dia, o que causa sobrecarga de trabalho e consequentemente, reclamações por parte dos pacientes.

Plano estratégico
A Ordem dos Médicos de Angola apresentou, aos seus membros, o Plano Estratégico 2019-2020, que prevê a realização de um fórum de auscultação dos profissionais, criação de fundo de solidariedade, impulsionar o desenvolvimento do projecto Casa do Médico e garantir a efectivação da municipalização dos serviços na periferia.
Os médicos pretendem, igualmente, trabalhar para garantir o exercício da medicina, num ambiente seguro para o médico e os utentes, garantir junto das estruturas centrais do Estado um salário condigno e organizar aulas preparatórias para os médicos recém-formados, interessados em entrar no sector da Saúde, por via de concurso público.
A Ordem dos Médicos vai ajudar os filiados, no reconhecimento célere da formação de graduação e pós graduação, feitas no interior e exterior do país, bem como disponibilizar cédulas profissionais, cinco dias após à inscrição.

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