Sociedade

Processo de sucessão do soba impugnado

Avelino Umba

O processo de investidura do sucessor do soba grande de Cacuaco, Manuel António Falcão, falecido em Abril último, foi ontem impugnado por falta de consenso.

Enquanto uns defendiam a sucessão por linhagem, outros defendiam por indicação. Os últimos sobas, segundo apurou o Jornal de Angola, foram indicados pela comunidade.
O director de Cultura e Turismo de Cacuaco, Henrique Neves, reprovou a atitude dos que defendem que os sobas que até aqui chegaram ao trono nunca foram de linhagem. Lembrou que o finado Manuel Falcão não respeitou o aspecto de linhagem, tal como o primeiro regedor substituído depois pelo filho do falecido.
“Se hoje temos de corrigir o que esteve mal e melhorar o que está bem, então temos de voltar à essência e natureza do sobado na comunidade, respeitando a linhagem”, disse, para acrescentar que os defensores da sucessão por linhagem manifestaram interesse em fazer parte do processo e primarem em manter a tradição, mas acusam a Associação Provincial de Autoridades Tradicionais de impor normas às colectividades, alegando que o processo é irreversível e que o filho do finado seria a pessoa certa na sucessão.
O secretário das Autoridades Tradicionais de Luanda, João Adão, considerou haver desordem neste processo, pois a autoridade tradicional é autónoma, tem as suas linhagens sem a intervenção do Estado.
“O que vimos aqui foi alguma imposição do Esta-do em consonância com a comunidade de querer “as-saltar” o poder tradicional”, disse.
No passado, continuou, as autoridades tradicionais estavam deslocadas daquilo que era o processo de continuidade devido à situação de guerra que o país viveu, mas que actualmente foi invertida.
João Adão explicou que nos dias de hoje a autoridade tradicional é obrigada a pertencer a uma linhagem. “Não se trata de uma ordem nossa, mas sim de uma orientação do Ministério da Administração do Território que estabeleceu que todas as autori-
dades tradicionais que se encontravam deslocadas devem regressar às suas zonas de origem, onde devem tomar as suas responsabilidades, de acordo com a sua linhagem.”
Com esta impugnação, de acordo com o membro das autoridades tradicionais na província de Luanda, o su-cessor tradicional tem necessariamente de pertencer a uma linhagem.

 

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