Sociedade

Programa “Angola on-line” está há dois anos sem sinal

Manuel Barros

O ponto de acesso de Internet grátis, em banda larga, instalado em 2014, no largo defronte à Administração Municipal de Cacuaco, enquadrado no programa “Angola on-line”, está inoperante há cerca de dois anos, constatou o Jornal de Angola no local.

A quebra do sinal de Internet grátis, em Cacuaco, é provocado pela constante falta de energia
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

O facto tem deixado os munícipes agastados por não saberem as reais razões da paralisação do serviço, numa altura em que ao local acorriam dezenas de jovens estudantes na esperança de poderem pesquisar materias escolares.
O jovem estudante Pedro Paiva, morador da Nova Urbanização de Cacuaco, disse que há cinco anos o largo era muito movimentado por jovens que procuravam usar a Internet para diversos fins.
“Pesquisávamos de tudo um pouco, mas a primazia recaía para as matérias de escola, vídeo-aulas ou mesmo filmes que retratavam alguns problemas sociais”, afirma.
Laurinda Ngiz, estudante do ensino médio e moradora do bairro da Cerâmica, lamenta a falta de sinal, pois em seu entender era uma mais-valia, uma ferramenta importante para o aproveitamento escolar.
“Massificar o sinal de Internet grátis em banda larga em todos os locais dos municípios é uma boa ideia do Governo, pena é não ter havido fiscalização por parte do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, o que levou o projecto a não cumprir com o verdadeiro objectivo”, lamenta.
À semelhança de muitos jovens, Lourenço Domingos, estudante e morador do bairro Monte Velho, afirma que as tarefas de escola e pesquisas em busca de mais conhecimento eram quase obrigatórias no largo, quando havia o sinal.
Com a recente abertura do ano lectivo, muitos munícipes esperam que a situação seja resolvida o mais breve possível, para que possam usufruir do serviço de Internet como no passado.
Lembra que muitos jovens levavam computadores portáteis para fazer muitos trabalhos escolares, baixar programas que serviam mais tarde para resolução de tarefas futuras.
Eduardo Francisco, estudante universitário e morador do bairro da Eco-Campo, diz que só se deslocava ao largo para navegar e que a falta de sinal trouxe muitos transtornos aos jovens que fizeram do espaço uma forma de comunicar-se e informar-se sobre notícias de Angola e do mundo por meio da Internet.
Segundo refere, o ponto só funcionou devidamente até dois anos depois da sua inauguração. “Sempre que passo pelo largo, só vejo a placa do “Angola on-line” a simbolizar o projecto, porque o sinal de Internet há muito deixou de estar no ar, naquele largo”, lamentou.

Falta de energia na origem do corte de sinal
O director-geral do Instituto Nacional de Fomento da Sociedade de Informação, (Infosi), Paulo Pedro, disse que a quebra do sinal no ponto de acesso do largo da Administração Municipal de Cacuaco deve-se a problemas técnicos a que a instituição procura dar solução o mais rápido possível.
O ponto de acesso está ligado à infra-estrutura da Estação Postal de Cacuaco, afecta aos Correios de Angola, que tem enfrentado problemas de fornecimento de energia eléctrica. “E, para preservar o ponto de acesso, foi desligado, o que tem resultado na quebra do sinal”, disse.
Paulo Pedro afirmou que o Instituto Nacional de Fomento da Sociedade de Informação tem evitado ligar novos pontos de acesso à Internet grátis, na via pública ou em instituições que não tenham energia eléctrica regular.
“Hoje, temos feito me-lhorias de maneira a implementar os pontos em locais estratégicos que não tenham problemas de fornecimento regular de energia eléctrica, para evitarmos que este tipo de problema volte a acontecer”, frisou.
Fruto do monitoramento feito pelo Infosi, constatou-se que há pontos, a nível de Luanda, que são ligados à noite. “No período diurno, o ponto fica sem sinal, mas a noite surge no ar”, disse, sustentando que “notamos a partir do sistema, o volume de acesso e a capacidade de Internet que foi usada em cada ponto:”
“Estamos a melhorar o serviço e vamos continuar a trabalhar em cada ponto de acesso para que a população tenha cada vez mais acesso à Internet grátis”, garantiu.

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