Programa prevê redução de mortes maternas

Edna Dala
20 de Março, 2017

Fotografia: José Cola|Edições Novembro

As mulheres grávidas constituem a prioridade do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP) em situações de emergência,  para que continuem a ter acesso à assistência médica mesmo em condições difíceis,  garantindo deste modo  partos seguros e redução das mortes maternas e neo-natais.

O oficial de Programas do FNUAP para as questões humanitárias e de género,  Luís Samacumbi,  disse que o papel da organização a nível global, regional e nacional em situações de emergência,  consiste em salvar vidas através do fornecimento de instrumentos de medicina, garantindo assim partos seguros para as mulheres gestantes.
Luís Samacumbi disse que o Fundo, enquanto agência responsável, vela por questões de saúde sexual e reprodutiva. Intervém também em contextos humanitários para assegurar que a gravidez em situação de emergência seja desejável e não uma gestação que ponha em risco, não só a mulher como também os grupos de risco. Mesmo em situação de emergência, como inundações e secas, as pessoas não deixam de fazer sexo, portando as actividades reprodutivas continuam, frisou o oficial do FNUAP.
Sobre o apoio às mulheres grávidas e mulheres na faixa etária de reprodução, Luís Samacumbi esclareceu que até ao momento, o FNUAP tem trabalhado em duas províncias da região sul, designadamente o  Cunene e a Huíla,  onde os respectivos governos  solicitaram o apoio do  Fundo na capacitação de técnicos e agentes humanitários.
O oficial de Programas disse que em situações de emergência, as raparigas são mais vulneráveis à violência no género. Argumentou que nestas circunstâncias há escassez de comida e a tendência de alguns indivíduos é trocar bens alimentares por favores sexuais.
No ano passado, o Serviço de Protecção Civil e Bombeiros solicitou o apoio do FNUAP para avaliar um caso que ocorreu no município da Cahama, após  os desastres naturais registados no Sul de Angola.
Numa comuna da Cahama, uma menor ficou grávida por se ter envolvido sexualmente com um adulto em troca de sabonete, depois de sido humilhada num rio. “A menina encontrou as amigas a tomarem banho com sabonete e como ela não tinha o produto sofreu “bullying”.
De imediato, apareceu alguém a oferecer-lhe sabonete em troca de sexo na mata culminado com a gravidez”, disse Luís Samacumbi.
O oficial do FNUAP destacou que, no contexto humanitário, as meninas tornam-se mais permeáveis por coisas simples.
“Procuramos assegurar deste modo que os casos de violência no género sejam reportados às autoridades e sejam tomadas as medidas adequadas de acordo com as leis em vigor em cada país e aplicadas para a protecção das pessoas mais vulneráveis”, referiu.
Luís Samacumbi esclareceu que o FNUAP tem realizado seminários de capacitação dos agentes locais a pedido dos governos.
A capacitação permanente destes parceiros de intervenção, disse, faz parte da resposta do Fundo para que os conteúdos assimilados sejam aplicados em situações humanitárias.

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