Sociedade

Réu aceita em Tribunal o crime de furto ao BNI

Kilssia Ferreira

O réu Mendes Domingos Marçal, 32 anos, aceitou ontem, durante o julgamento no Tribunal Provincial de Luanda, o crime de furto doméstico, que lhe é imputado pelo Banco de Negócio Internacional (BNI), onde funcionou alguns anos, avaliado em 250 mil dólares e mais 200 mil euros, ocorrido em Maio de 2018, podendo vir a ser condenado na pena entre 12 a 16 anos de prisão.

A próxima audiência do julgamento do “Caso BNI” terá lugar na terça-feira, dia 19
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

Durante o julgamento que decorreu na 7.ª Secção da Sala dos Crimes Comuns do Tribunal Provincial de Luanda, o réu Mendes Domingos Marçal, disse aos juízes que retirou as chaves do cofre do banco na mesa de trabalho do seu colega José Luís Monteiro, sem o conhecimento deste.
O réu Mendes Domingos Marçal é funcionário do BNI. Na altura, era responsável pela manutenção das fechaduras dos cofres e alteração do código daquela instituição a nível nacional e numa acção de manutenção, não alterou o código, tendo à posteriori efectuado uma cópia do cartão que dá acesso à sala onde fica o referido equipamento, sem o conhecimento do seu superior hierárquico.
Depois de ter notado que já não havia ninguém no departamento, entrou e retirou os valores monetários do cofre, tendo colocado numa mochila e transportado numa motorizada de marca Yamaha, sendo mais tarde interpelado por dois agentes da Polícia Nacional.
Segundo o réu, os dois agentes da Polícia Nacional o ameaçaram e levaram os montantes em parte incerta, tendo dito ao juiz desconhecer o paradeiro do dinheiro e não ter como proceder a reparação dos danos causados ao BNI.
O Ministério Público lembrou ao réu, que na fase da instrução preparatória do processo, declarou ter entregue a guarda dos valores à sua namorada Isabel Vieira de Olim, que mais tarde alegou desconhecer.
Paulo Sérgio Cardoso, chefe de Departamento de Segurança Interna do BNI, declarou que o réu era um bom funcionário e não apresentava nenhum comportamento desviante. A testemunha disse que além de si, quem também tinha acesso ao código do cofre era o tesoureiro.
José Fortes Monteiro, director da Tesouraria Cen-tral do BNI, declarou que o departamento que dirige tinha em seu poder a cópia da chave que dá acesso à sala do cofre, sendo o código selado num envelope e entregue ao tesoureiro e chefe de segurança interna.
O Ministério Público não satisfeito com as declarações, questionou porque razão o tesoureiro que tem acesso ao código do cofre não foi arrolado ao processo. O julgamento prossegue na próxima terça-feira, 19, para as alegações finais.

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