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Bactérias e humanos têm algo em comum

As bactérias, assim como os seres humanos, percebem o ambiente, revelam pesquisadores da Universidade do Colorado, em Boulder, nos Estados Unidos da América (EUA).

Descoberta pode levar a novos remédios antibacterianos
Fotografia: Andy Buchanan | AFP

A descoberta, divulgada ontem, pode levar ao desenvolvimento de melhores medicamentos contra infecções bacterianas. Esta é a primeira observação documentada “do sentido do tacto em bactérias individuais e é o resultado de um estudo realizado com bactérias Escherichia coli.
Segundo Giancarlo Bruni, do Departamento de Biologia Molecular, Celular e de Desenvolvimento da universidade, tanto bactérias quanto humanos utilizam pequenos impulsos eléctricos gerados por íons cálcio para transmitir informação do ambiente à volta do sistema nervoso e sensorial, ou o seu equivalente bacteriano.
“Humanos e bactérias não são tão diferentes”, afirmou Giancarlo Bruni sobre a descoberta publicada na revista especializada “Proceedings of the National Academy of Sciences” e feita em conjunto com Joel Kralj, Andrew Weekley e Benjamin Dodd. Os cientistas já sabiam que as bactérias reagem ao ambiente e comportam-se de maneira distinta se, por exemplo, têm acesso ou não ao açúcar, ou se estão sobre uma superfície rígida ou macia, mas o novo estudo percebeu que as bactérias “sentem” o ambiente envolvente.
Para comprovar isso, Giancarlo Bruni e os colegas colocaram as bactérias dentro de uma superfície pegajosa e observaram-nas com um microscópio. Se nada tocava nas bactérias, elas mantinha-se “apagadas”. Quando eram tocadas ou empurradas, “acendiam”, ou seja, emitiam uma ténue luz indicando que estavam a usar sinais eléctricos para transmitir informação. “Acreditamos que o que poderia estar acontecer é que as bactérias usam esses sinais eléctricos para modificar o seu estilo de vida”, explicou o professor Joel Kralj, que faz parte do Instituto BioFrontiers.

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