Sociedade

Engenharia pode fechar cursos

César Esteves |

O curso de Engenharia Informática da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto corre o risco de encerrar por falta de professores, informou ao Jornal de Angola a decana da instituição académica.

Alice de Almeida diz que a Faculdade de Engenharia tem falta de docentes em alguns cursos
Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

Alice de Almeida disse que, para o curso de Engenharia Informática, a Faculdade tem no seu quadro de pessoal apenas dois docentes efectivos e 95 por cento são colaboradores, que atendem um universo de 200 a 300 estudantes.
 “Não é com docentes colaboradores que o curso se vai desenvolver. Eles até podem manter o mesmo em funcionamento, mas não é disso que a Faculdade de Engenharia e o respectivo curso precisam para o seu desenvolvimento”, afirmou.
A decana da Faculdade de Engenharia deu a conhecer que o curso de Engenharia Informática é o que mais estudantes recebe por altura dos exames de acesso.
Um outro curso que também está em risco, de acordo com Alice de Almeida, é o de Engenharia de Petróleo, que não dispõe sequer de um docente efectivo. Lembrou que o mesmo tem funcionado com a  colaboração de docentes efectivos de outros cursos. 
A decana informou que, além desses cursos, há outros que apresentam um quadro docente já envelhecido, carecendo, por isso, de substituição. “Temos docentes já em idade e tempo de serviço para reforma, mas infelizmente, continuamos com os mesmos, sem possibilidade de efectuarmos novas admissões”, avançou.
De 2012 a 2017 houve apenas a admissão de três pessoas, fruto de um concurso público. Alice de Fátima Almeida explicou que os concursos públicos e o número de vagas disponíveis não ajudam a colmatar o défice de docentes.
“O número de docentes, comparativamente ao de estudantes, é baixo e fica muito aquém das expectativas, disse, para acrescentar que o problema já é do conhecimento da Reitoria da Universidade Agostinho Neto e do Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação.
Anteriormente, disse a responsável, a Faculdade de Engenharia admitia, por ano, 400 estudantes e era um número definitivo para todos os cursos, mas após a transferência para o Campus Universitário, em 2012, a instituição passou a admitir apenas 1.200 estudantes.
“Quando o número de estudantes aumenta três vezes é suposto, também, que o número de docentes aumente, a fim de manter uma relação proporcional ao número de estudantes, o que não aconteceu”, afirmou. 
A Faculdade de Engenharia dispõe de 155 docentes para 2.214 discentes, uma cifra, de acordo com a decana, insuficiente a julgar pelo número de estudantes inscritos. A instituição precisa do dobro de docentes para reforçar o número actual.
Em funcionamento desde Setembro de 1966, a  Faculdade de Engenharia é uma unidade orgânica da Universidade Agostinho Neto e lecciona cursos de Engenharia Civil, Arquitectura, Engenharia de Minas, de Petróleo, Electrónica e Telecomunicações, Informática, Mecânica e Química. 

Tempo

Multimédia