Sociedade

Ministra promete assistência médica de maior qualidade

Rodrigues Cambala |

A ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, reconheceu, na quinta-feira, em Luanda, que o sector precisa de um esforço redobrado em várias vertentes, para garantir a contínua redução da mortalidade materno-infantil e a melhoria das condições de trabalho dos funcionários e da assistência médica e medicamentosa aos utentes das unidades sanitárias públicas.

A nova ministra da Saúde disse que por se encontrar há pouco tempo na direcção do Ministério da Saúde está numa fase de diagnóstico do sector
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Em declarações à imprensa, depois de discursar no encontro nacional de avaliação e planificação da campanha integrada de vacinação contra o sarampo, rubéola e poliomielite, Sílvia Lutukuta realçou que, estando à frente da direcção do Ministério da Saúde há pouco tempo, ainda está numa fase de diagnóstico do sector.
“Estamos a trabalhar para melhorar, mas reconhecemos que as dificuldades são imensas”, disse a ministra da Saúde, acrescentando haver uma pressão muito grande sobre os hospitais.
A nova ministra da Saúde confirmou que mantém contacto com todos os intervenientes do sector. Desta feita, já manteve encontros com directores nacionais e de hospitais da província de Luanda. Um encontro para já com o Sindicato dos Enfermeiros de Angola está na agenda de trabalho de Sílvia Lutukuta, que assegurou ser prioridade dialogar com as associações profissionais.
Quando lhe foi perguntado sobre como pôr fim à escassez de medicamentos, a ministra Sílvia Lutukuta pediu aos cidadãos para manterem a calma porque tudo vai ser feito para o quadro ser invertido.
No encerramento do encontro nacional de avaliação da campanha de vacinação, que deu formação a equipas municipais, a ministra da Saúde afirmou que “a imunização constitui um meio de baixo custo e altamente eficaz para a prevenção de doenças e acentuou que devem ser atingidas altas coberturas de vacinação.”
Sílvia Lutukuta, que falava pela primeira vez num evento público desde que foi nomeada ministra da Saúde, disse que os programas de vacinação constam nas prioridades do Executivo por serem instrumentos de saúde pública de eficácia comprovada para a melhoria da saúde e do bem-estar da população.

Progressos alcançados


A titular da pasta da Saúde reconheceu que os progressos alcançados no âmbito da redução da incidência das doenças imunopreveníveis, particularmente a eliminação da transmissão da poliomielite e o controlo com êxito da epidemia de febre-amarela, que teve o registo de 4.618 casos suspeitos, com a confirmação de 884, devem-se ao aumento das coberturas de vacinação de rotina. A incidência do sarampo a nível nacional mostra uma redução de 27.259 casos. Em 2016, foram registados 943 casos e cinco óbitos e, no primeiro semestre deste ano, confirmados 166, com um óbito. 
“Este é o momento propício para consolidar a eliminação desta doença, mediante uma campanha massiva de vacinação que integre outros antígenos, como a rubéola e a poliomielite”, realçou Sílvia Lutukuta, que disse estarem a ser redobrados esforços para o reforço da protecção contra as doenças imunopreveníveis em todos os municípios e comunas.
A ministra reconheceu que as coberturas de vacinação de rotina estão ainda baixas, o que lhe preocupa por estarem distantes da cobertura desejável de 95 por cento, uma meta do Ministério da Saúde.
O gráfico indica que, no primeiro semestre deste ano, a vacinação contra a hepatite B atingiu 55 por cento, sarampo 83, poliomielite  70, pentavalente 77, rotavírus 55, pneumo 73, febre-amarela 57, tétano em grávidas 71 e BCG 94 por cento.
Apesar da crise financeira, Sílvia Lutukuta disse que o Governo tem garantido recursos financeiros para honrar o compromisso de disponibilizar as vacinas à população alvo, tendo disponibilizado 22 milhões de dólares este ano.
Dados da OMS indicam que, com a introdução da vacina contra o pneumococo, foram reduzidas cerca de 700 mil mortes em 2015.

Ministério da Saúde vai melhorar a coordenação logística central


O encontro de planificação e avaliação da campanha integrada de vacinação, que decorreu de dois a cinco deste mês, concluiu que, no período de Janeiro a Julho de 2017, a cobertura nacional de vacinação não atingiu a meta de 90 por cento em crianças com menos de um ano, excepto a BCG com 94 por cento.
Com o apoio da OMS e da Unicef, o encontro nacional contou com a participação de 142 técnicos e activistas de saúde e foi realizado com o objectivo de avaliar o desempenho do programa de imunização e promoção de saúde, capacitar as equipas técnicas provinciais na planificação integrada da vacina contra o sarampo, rubéola e pólio e treinar formadores provinciais para a introdução da vacina inactivada pólio.
Os participantes recomendaram a melhoria da coordenação logística central de vacinas, transporte, distribuição e intercâmbio de informação sobre o stock, acelerar o processo de distribuição e instalar novos equipamentos na cadeia de frio, bem como capacitar as equipas provinciais para a montagem e manutenção dos equipamentos solares.
O encontro considerou ser fundamental melhorar as condições de recepção das amostras provenientes das províncias e expandir a avaliação ambiental para as demais províncias, trabalho que está apenas confinado a Luanda, Benguela e Malanje. A reunião deu também ênfase à necessidade do reforço da campanha de vacinação antitetânica de rotina para mulheres em idade fértil, da promoção do parto seguro, da melhoria da cobertura do parto institucional e da supervisão epidemiológica na fronteira com os países vizinhos.

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