Sociedade

Moradores reclamam da poluição sonora

Roque Silva |

Moradores do Largo do Mané, no Distrito Urbano do Neves Bendinha, no município do Kilamba Kiaxi, em Luanda, estão agastados devido a poluição sonora causada durante os velórios realizados naquele local.

Fotografia: DR

Ontem, vários residentes das habitações construídas à volta do largo, a céu aberto, e de terra vermelha denunciaram ao Jornal de Angola que têm sido regularmente importunados a ter um bom sono, sobretudo à noite, período em que as famílias se concentram para pernoitar em orações e cânticos.

Os interlocutores foram unânimes em afirmar que “o sono é interrompido sempre que se realizam os velórios no Largo do Mané, porque os cânticos são emitidos por meio de enormes aparelhos de som, montados pelos familiares dos defuntos”.

José Lourenço, um dos residentes da zona, disse que o largo tem sido, nos últimos meses, palco de actividades diversas, além dos velórios, em que se registam casos de poluição sonora. Mas os óbitos são os que mais importunam a vizinhança, por serem reuniões feitas à noite.“Não se consegue pregar o olho, porque as colunas emitem sons ensurdecedores”, disse a fonte, que lamentou serem, na maior parte das vezes, pessoas autorizadas pela Administração do Distrito do Neves Bendinha para realizar velórios a residentes de zonas afastadas das habitações junto ao Largo do Mané, incluindo estrangeiros.

“Nunca mais assinamos os acordos porque há sempre muito barulho, o que é um autêntico desrespeito aos cidadãos”, disse o morador daquele distrito de Luanda.

A conversa mantida via telefónica com moradores, que se queixam de poluição sonora, foi interrompida devido a uma discussão entre as nossas fontes e uma terceira pessoa que exigia destes a assinatura para que se realizasse um velório.

O familiar do defunto se fazia acompanhar de um documento que acusava a recepção do pedido de realização do acto no Largo do Mané, alegando falta de condições em sua residência para o velório.

Apesar de o usuário afirmar ter autorização de um funcionário da Administração para proceder a recolha de assinaturas da vizinhança, para avançar com o velório, o acto foi abortado pela presença do administrador adjunto para a Área Técnica, Infraestruturas e Serviços Comunitários do Distrito Urbano do Neves Bendinha e de efectivos da Polícia Nacional.

O administrador adjunto do Distrito Urbano do Neves Bendinha André João Juanga disse que os velórios no largo do Mané nunca foram autorizados pela Administração, pelo que considerou como aproveitadores os que usam o documento de solicitação para ludibriar os residentes daquela zona.

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