Sociedade

Petróleo abandonado causa poluição ambiental no Soyo

Jaquelino Figueiredo | Soyo

Passados 25 anos, está ainda sem solução o problema de uma grande bacia de retenção de petróleo bruto a céu aberto, onde se estima existirem mais de 30 mil barris abandona-dos junto à Base Logística do Quinfuquena, arredores da cidade do Soyo, com níveis de poluição ambiental bastante altos.

São passados 25 anos desde que foi criada a bacia de retenção de petróleo no Soyo
Fotografia: Adolfo Dumbo| Edições Novembro

O “lago”, considerado hoje, pela Somoil, como passivo de guerra, resultou da destrui-ção, em 1993, durante a guerra, de dois tanques reservatórios com capacidade para 400 mil barris de petróleo cada, pertencentes à Fina Petróleos de Angola.
O petróleo continua a in-filtrar-se no subsolo e com grande probabilidade de ter já atingido lençóis de águas subterrâneas na região, para além da poluição externa que causa.
O director do gabinete de qualidade, segurança e am-biente da empresa Somoil, Remy Luvuvamo, explicou que os 30 mil barris de petróleo bruto foram herdados pela actual operadora da Base do Quinfuquena (Somoil), em 2008, quando ganhou os direitos de ali operar.
Sobre o passivo de guerra localizado nas instalações da Base do Quinfuquena, a Somoil herdou o espaço e uma série de problemas, entre os quais a bacia de retenção. Remy Luvuvamo fez saber que o problema é do domínio dos ministérios dos Re-cursos Minerais e Petróleos, do Ambiente e das Finanças, assim como da Sonangol, tendo a empresa Somoil, na qualidade de nova operado-ra, assumido a responsabilidade de encontrar a solução dentro da parceria existente com estas entidades.
Como operadora, neste momento, a Somoil está a trabalhar num estudo de avaliação ambiental. Esta acção é apresentada às entidades governamentais.
O estudo de avaliação ambiental e uma proposta orçamental, explicou, estão a cargo de uma empresa estrangeira, a PRIC, pelo que a Somoil aguarda apenas pela sua conclusão, para posterior apresentação aos ministérios competentes. Remy Luvuvamo disse  que a empresa, que está a trabalhar no estudo e na proposta para solucionar o problema do petróleo bruto a céu aberto, vai empregar uma tecnologia de alta qualidade que permite recolher o óleo à vista e o que está misturado com a terra.
“Com a nova tecnologia, vamos recuperar tudo. A nova tecnologia da PRIC ajuda a recuperar  os óleos, por meio da escavação, e deixar o local limpo, devidamente tratado e isento de hidrocarbonetos”, garantiu o director.
A solução do problema do passivo de guerra tarda, como frisou, por depender de vários estudos e  propostas que devem antes ser analisados, para posterior ser aprovado o que melhor viabilidade apresentar.
Remy Luvuvamo disse que já há um estudo da Total além do que  a Somoil realiza. “Ambos os trabalhos constituem instrumentos que facilitam às entidades tomar uma decisão, porque requer muito trabalho”, acrescentou.
Questionado sobre o início dos trabalhos, Remy Luvuvamo escusou-se a estabelecer um horizonte temporal para resolver o referido problema. Assegurou apenas que a situação está a ser tratada e em breve vai ser solucionada.

Sem riscos de contaminação
A grande quantidade de petróleo existente na  bacia de retenção junto à Base Logística do Quinfuquena não representa qualquer risco iminente de contaminação do lençol freático ou da costa marítima localizada a algumas centenas de metros do local, tranquilizou Remy Luvuvamo.
“O local foi um terminal, cujas bacias de retenção eram feitas para conter, caso houvesse uma fuga ou derrame nos dois tanques, cada com capacidade para 400 mil barris de petróleo, que se estucava antes de ser expedido para os navios”, acrescentou Remy Luvuvamo, que explicou que, ao se construir uma bacia, em baixo coloca-se uma protecção apropriada para evitar infiltrações em caso de fuga de petróleo e a possibilidade de atingir as águas subterrâneas.
“Não há possibilidade de infiltração de petróleo e de contaminação dos solos, até ao lençol freático ou para o mar. Isto está descartado”, frisou Remy Luvuvamo, que explicou que o risco iminente que se pode aceitar tem a ver com a possibilidade de um incêndio no local.

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