Sociedade

Primeiros dias de vida são cruciais

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Fundação Lego estão a lançar uma campanha de consciencialização sobre a importância dos primeiros mil dias da vida de uma criança.

A campanha global é denominada "Comer, brincar e amar", uma maneira simples de explicar aos pais a importância de garantir aos seus filhos o melhor começo de vida possível.
De acordo com o Unicef, as experiências que a criança tem, nos primeiros três anos, causam impacto ao desenvolvimento do cérebro.
Nesta fase, as células cerebrais fazem até mil conexões por segundo, contribuindo para as funções motoras e para o aprendizado.
O período é essencial para garantir um futuro saudável e feliz. Mas a falta de nutrientes adequados, de estímulos, de amor e de protecção pode impedir o desenvolvimento dessas conexões tão críticas.

Menores vulneráveis

O Unicef espera que, ao envolver as famílias, se aumente a busca por serviços de desenvolvimento infantil que tenham qualidade e sejam acessíveis do ponto de vista económico.
A agência especializada da Organização das Nações Unidas  pede aos governos do mundo inteiro que invistam em programas para os menores mais vulneráveis.
De acordo com a revista especializada The Lancet, 250 milhões de crianças de países em desenvolvimento estão em risco de não se desenvolver de forma adequada devido à pobreza e à falta de nutrientes. Mas as crianças desfavorecidas que vivem em países de rendimento médio ou alto também correm riscos.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância calcula que milhões de menores passam os primeiros anos de idade sem receber estímulos ou em ambientes inseguros.
Com isso, o seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional pode não ser adequado.

Descoberta surpreendente

A parte do cérebro que permite reconhecer os rostos continua a desenvolver-se até à idade adulta, uma descoberta que surpreendeu os cientistas, que pensavam que o crescimento dos tecidos cerebrais terminava no início da vida, e que o cérebro se adaptava posteriormente, organizando a sinapse entre os neurónios.
Ao examinar com ressonância magnética cérebros de crianças e de adultos, os pesquisadores descobriram que a região do córtex cerebral que aparentemente desempenha um papel chave no reconhecimento dos rostos - chamada giro fusiforme - continuava a crescer até à idade adulta.
Isto explicaria por que os adultos reconhecem melhor os rostos do que as crianças, revelaram os autores desse estudo, apresentado na revista americana Science e realizado com 47 pessoas, sendo 22 crianças de 5 a 12 anos e 25 adultos dos 22 aos 28 anos. Os pesquisadores determinaram que os adultos tinham proporcionalmente 12,6 por cento a mais de matéria cerebral no giro fusiforme do que as crianças.
Kalanit Grill-Spector, professora de Psicologia do Instituto de Neurociências da Universidade de Stanford, dos Estados Unidos da América, ressaltou que antes os cientistas pensavam que a formação do cérebro ocorria apenas durante a infância e a adolescência, mas no que se refere ao giro fusiforme esta formação vai além.
Esta parte do córtex cerebral é única nos humanos e nos grandes primatas. Os cientistas também examinaram outras zonas do cérebro envolvidas no reconhecimento dos lugares, mas o seu tamanho não variava com a idade.
Para a professora Kalanit Grill-Spector, esta descoberta vai facilitar a compreensão de certos aspectos do envelhecimento e das dificuldades de algumas pessoas para reconhecer rostos. Segundo o estudo, um em cada cinquenta adultos seria afectado por este problema.
Também pode ser útil para estudar o transtorno no espectro do autismo, que pode afectar a capacidade de reconhecer rostos.
Estas observações foram corroboradas por uma equipa do Centro de Pesquisa de Julich, na Alemanha, que trabalhou com tecidos da mesma parte do córtex cerebral procedentes de cadáveres.
Os pesquisadores da universidade alemã chegaram a extrair estruturas celulares que mostravam que as do giro fusiforme dos adultos eram maiores.

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