Sociedade

RDC afasta propagação do ébola a Angola

Kayila Silvina | Mbanza Kongo

O director provincial da Saúde do Congo Central (RDC) tranquilizou, em Mbanza Congo, as autoridades sanitárias da província do Zaire, em geral do país, no sentido de se manterem calmas, uma vez que os riscos de propagação da doença em Angola são quase nulos, tendo em conta as medidas de contenção tomadas pelo Governo congolês.

 

Fotografia: DH.be

Floriam Masaki Nzembel, que falava na quinta-feira durante o encontro transfronteiriço sobre a vigilância epidemiológica, colocou de parte a possibilidade de o risco da ébola chegar a Angola, porque a situação epidemiológica está controlada, mas reconhece que há toda a necessidade de  redobrar-se os esforços para conter a propagação da doença.
O responsável disse que o Governo congolês não cruzou os braços na luta contra a erradicação da febre hemorrágica da ébola. Deste modo, prosseguiu,  foram criadas equipas médicas que se encarregam de efectuar exames de check-up a pessoas vindas da província do Equador, localidade afectada pelo surto da febre hemorrágica.
As regiões mais afectadas pela ébola na província do Equador são as localidades de Wangata, Bikoro e Iboko.
O director provincial da Saúde do Congo disse que já foram implementadas medidas preventivas, tais como campanha de sensibilização junto das populações das localidades afectadas. Disse que neste momento está a ser feita uma campanha anti-vectorial, com fumaça extra e intra domiciliar junto das comunidades da região.
Referindo-se ao problema do contrabando de medicamentos impróprios para consumo humano ao longo da fronteira comum, Floraim Nzembele mostrou-se preocupado, tendo, por isso, solicitado os serviços de inspecção da Saúde no sentido de serem implacáveis, porque a situação preocupa os dois países.
O encontro, promovido pelas autoridades governamentais do Zaire, surge em reposta às preocupações das autoridades angolanas a propósito do surto epidémico de ébola que devasta o país vizinho. Participaram no encontro directores das repartições da Saúde e dos hospitais dos municípios da região. Dados estatísticos oficiais das autoridades sanitárias da República Democrática do Congo (RDC) apontam para 56 casos registados, 26 dos quais resultaram em óbito, em consequência da febre hemorrágica que assola pela nona vez aquele país vizinho, com mais de 80 milhões de habitantes.
Para o vice-governador para o sector Político Social e Económico do Zaire, António Félix Kialungila, o encontro serviu para se inteirar sobre a vigilância epidemiológica ao longo da fronteira comum e de outras eventuais patologias. António Félix disse que é mais uma  reunião de partilha de conhecimentos sobre a situação da ébola e das medidas de prevenção a ter-se em conta no sentido de evitar-se a propagação da doença.
O vice-governador garantiu que os postos fronteiriços do Luvo, Nóqui e Soyo estão preparados para a vigilância epidemiológica com todas as medidas preventivas contra a febre hemorrágica da ébola.
Situada a norte de Angola, a província do Zaire partilha uma fronteira de 330 quilómetros com a região do Congo Central (RDC), dos quais 150 por via fluvial, através do rio Zaire.

  Avaliada prontidão das fronteiras

O secretário de Estado para a Saúde Pública, José Cunha, está desde  ontem  na província de Cabinda, onde avalia, até hoje, o grau de prontidão das fronteiras, devido ao surgimento de casos de ébola, com vítimas mortais, na República Democrática do Congo.    
A visita de José Cunha, à frente de uma delegação da Comissão Interministerial do Plano de Resposta à Epidemia, é feita à luz do Sistema Internacional Sanitário, por via do qual vai constatar a vigilância sobre a febre hemorrágica causada pelo vírus ébola e outras potencialmente epidémicas. A delegação chefiada por José Cunha vai visitar as fronteiras do Yema, de Tendequele e de Lucula Zenze, no município de Cabinda, de Massabi e Beira Nova, no município de Cacongo, e Necuto, no Buco-Zau.
A delegação é integrada por membros do Gabinete do secretário de Estado para a Saúde Pública, da Direcção Nacional de Saúde Pública, do Instituto Nacional de Investigação de Saúde e da Inspecção Geral da Saúde.Fazem ainda parte da Comissão Interministerial do Plano de Resposta à Epidemia os ministérios da Energia e Águas, do Ambiente, da Defesa, do Interior e da Comunicação Social.

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