Sociedade

Sequele tem a maior escola primária do país

Pereira Dinis

A maior escola de ensino primário em Angola, com capacidade para cinco mil alunos, do pré-escolar à sexta classe, tem 48 salas de aula e está situada na Cidade do Sequele, sede do distrito urbano com o mesmo nome, pertencente ao município de Cacuaco, província de Luanda.

Chefe da Educação, Ana Paula Francisco, admitiu que existem crianças sem registo de nascimento
Fotografia: Eduardo Pedro | edições novembro

A informação foi avançada ontem ao Jornal de Angola pela chefe de repartição da Educação no distrito urbano do Sequele, Ana Paula Francisco. No presente ano lectivo, estão matriculados 18.462 alunos, dos quais mais de 10.400 são das três escolas da Cidade do Sequele do ensino primário e do I e II ciclos do secundário.
“As três escolas precisam de ser desafogadas nos próximos anos”, declarou a responsável, que reconheceu haver uma grande procura de vagas nos três estabelecimentos de ensino por moradores de outras zonas do distrito urbano do Sequele, sobretudo dos bairros Mayé-Mayé, Bênção de Deus e Kalilongue, onde não há nenhuma escola pública.
No Mayé-Mayé está em construção uma escola de iniciação ao II ciclo do ensino secundário, informou Ana Paula Francisco, mas ainda falta orçamento para escolas nos bairros Bênção de Deus e Kalilongue, que “surgiram agora” no município de Cacuaco, um dos mais populosos de Luanda.
O distrito urbano do Sequele precisa de 62 novos professores e 273 salas de aula para receber 7.177 crianças que estão ainda fora do sistema de ensino. No presente ano lectivo, estão em funcionamento 14 escolas públicas, duas comparticipadas e 13 colégios, dez dos quais em vias de legalização. As escolas públicas tiveram, no total, 2.781 vagas, 600 das quais nos três estabelecimentos da Cidade do Sequele e, deste número, 370 são referentes ao ensino primário.
Ana Paula Francisco esclareceu que o processo de legalização dos dez colégios está a ser acompanhado de perto pela repartição distrital da Educação do Sequele e aos quais, devido ao défice de escolas, foi dada a possibilidade de funcionarem de forma condicionada.
O número de alunos matriculados pode subir no primeiro trimestre, por estarem as escolas a receber ainda pedidos de pais e encarregados de educação, alguns dos quais com a alegação de serem novos moradores no distrito urbano.
“Estamos a envidar esforços para termos no máximo 40 alunos em cada sala de aula”, acentuou a responsável. Para este ano lectivo, está garantida merenda escolar para 1.740 alunos de três escolas públicas do Sequele.
“Há, entre as crianças ainda fora do sistema de ensino no Sequele, muitos casos sem registo de nascimento”, informou Ana Paula Francisco, mas isso não constitui um impedimento à matrícula, porque “não podemos tirar o direito de estudar a uma criança nesta condição”.
A responsável disse que tem havido intervenção da repartição distrital da Educação, junto dos serviços de Registo Civil e Identificação, para as crianças em idade escolar serem registadas e obterem posteriormente o Bilhete de Identidade.
“No dia em que o senhor jornalista ligou para mim, eu estava na repartição de Identificação Civil com cinco alunos que precisavam de Bilhete de Identidade”, explicou Ana Paula Francisco, que reconheceu o papel desempenhado pelos serviços competentes em defesa dos interesses das crianças do distrito urbano, constituído pela Cidade do Sequele (sede) e os bairros Havemos de Voltar, Cowboy, Seta, Caop Nova, Kalilongue, Ponte Três, Bairro Trinta e Mayé-Mayé.

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