Sociedade

SIC desmantela máfia das “ordens de saque”

Lourenço Bule | Menongue

Uma rede de mafiosos que operava no edifício sede do Governo do Cuando Cubango, cujo “modus operandi” consistia na emissão de ordens de saque, para o pagamento de obras inacabadas e que eram usadas como lavras, foi desmantelada, em Menongue, pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC).

Fachada principal do Governo do Cuando Cubango onde altos responsáveis lesaram o Estado
Fotografia: Edições Novembro

O porta-voz do SIC, inspector-chefe Anderson Domingos Luhami, disse ao Jornal de Angola que no Cuando Cubango existem muitas obras sociais abandonadas, de 2012 até agora, nas quais os infractores, de forma deliberada, continuaram a emitir ordens de saque, para supostamente continuarem com trabalhos, mas que na verdade o dinheiro era usado para fins pessoais.
Compulsados os documentos e a verificação feita no terreno por uma equipa do SIC, constatou-se que as obras, que resultaram na emissão de ordens de saque estimada em quatro mil milhões de kwanzas, retirados dos cofres do Estado, no período de 2012 até agora, nunca foram retomadas.
Por esta prática, encontram-se já detidos o director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística (GEPE) do Governo da Província do Cuando Cubango e os seus respectivos chefes de departamento de Programação Financeira e de Estudos e Projectos, acusados de crimes de peculato, lavagem de dinheiro, associação de malfeitores e tráfico de influências, previstos e puníveis nos termos da legislação angolana.
Também estão já detidos o actual secretário-geral do Governo da Lunda-Sul, que à data dos factos exercia a função de chefe do Departamento de Administração, Gestão do Orçamento, Planificação e Informática (DAGOPIT) no Cuando Cubango, os directores dos gabinetes do governador e o da vice-governa- dora para o Sector Político, Social e Económico.
Encontram-se ainda detidos, o actual chefe do DAGOPIT do Governo do Cuando Cubango, o motorista do vice-governador para a Área Técnica e Infra-estruturas e está foragido o director de gabinete. O porta-voz do SIC salientou que o valor desviado dos cofres do Estado, no período em referência, bem como o número de pessoas implicadas neste caso, é de longe superior e espera-se que durante o andamento das investigações deste processo, que ainda se encontra na fase de instrução, venha a determinar-se novos elementos.

Outros crimes

Anderson Domingos Luhami disse que o actual secretário do Governo Provincial da Lunda-Sul, além dos crimes de que é acusado, também vai responder por participação em negócios ilícitos, violação de normas de contratação pública e de abuso de poder, praticados enquanto chefe do DAGOPIT.
Entre as muitas práticas detectadas pelo SIC, por exemplo, ao director do gabinete do governador do Cuando Cubango, em 2017, enquanto funcionário público, lhe foi adjudicada uma obra no valor de 130 milhões de kwanzas para a construção de uma escola de seis salas de aula, no Cuito Cuanavale, que nunca teve início.
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) no Cuando Cubango vai continuar a trabalhar para levar todos os prevaricadores à justiça. Afirmou que nos próximos dias alguns gestores públicos dos sectores da Saúde e da Educação, administradores municipais e comunais também serão chamados a depor.
Questionado sobre o número de casos de peculato no Cuando Cubango, explicou que o SIC está a investigar mais de 50 processos-crimes, envolvendo administradores municipais e altos funcionários do governo da província. Os casos de peculato, associação de malfeitores e tráfico de influências carecem de uma investigação apurada e podem durar muito tempo, disse o porta-voz.

Tempo

Multimédia