Sociedade

SIC desmantela rede de suspeitos de burla

André da Costa

Uma rede de supostos burladores, envolvidos no desfalque de 40 milhões de kwanzas de várias instituições do Estado, usando assinatura e carimbo falso do Gabinete da Primeira Dama de Angola, Ana Dias Lourenço, foi desmantelada pelo Serviço de Investigação Criminal (SIC) e apresentada ontem à imprensa.

A Polícia Nacional apresentou ontem a rede de burladores
Fotografia: Dombele Bernado | Edições Novembro

O director de Operações do SIC, comissário Amaro Neto, informou que o grupo  composto por sete cidadãos nacionais, pretendia burlar instituições como Sonangol, Endiama, Banco Millenium, Atlântico, BCA e BDA, onde dirigiram documentos a solicitar apoio financeiro.
No mês de Maio, continuou, os indivíduos dirigiram várias cartas, usando a assinatura e o carimbo falso do Gabinete da Primeira Dama a solicitar apoios financeiros, para aquisição de brinquedos que seriam distribuídos às crianças no dia 16 de Junho, Dia da Criança Africana.
De acordo com o comissário, o grupo tinha uma conta bancária de uma empresa denominada VALMAT, para que as instituições visadas, entre os quais, também, o Cofre de Previdência do Pessoal da Polícia Nacional e a Caixa de Protecção Social do Ministério do Interior, depositassem ali os valores monetários.
Os presumíveis burladores conseguiram, de várias empresas do Estado, arrecadar 13 milhões de kwanzas, que foram levantadas em diversas agências do Banco Internacional de Crédito.
Tão logo o Serviço de Investigação Criminal iniciou com as diligências, o grupo de meliantes já havia gasto sete milhões, dos 13 arrecadados, daí terem sido apenas recuperados seis milhões.
O director  de Operações do SIC disse que os factos ocorreram aquando da recepção de uma participação criminal proveniente do gabinete jurídico do Banco Comercial Angolano, contra uma empresa de direito an-golano, com conta domiciliada no Banco Internacional de Crédito (BIC), pela recepção de uma transferência bancária de cinco milhões e 830 mil kwanzas.
Nesta operação foram detidos três funcionários do Banco BIC, dos quais um sub-gerente, tesoureiro e um caixa e de seguida encaminhados ao Ministério Público. Disse ainda que posteriormente os bancários foram colocados em liberdade sob termo de identidade e residência.
O comissário António Neto afirmou que há dois anos, os integrantes deste grupo já haviam sido detidos, tendo cumprido pena de prisão na cadeia de Calomboloca, em Luanda, por crime de falsificação de documentos em nome do antigo ministro da Administração do Território e actual vice presidente da República, Bornito de Sousa.
Sublinhou que os mesmos elementos foram postos em liberdade, no ano passado, beneficiandoda Lei da Amnistia, mas, ainda assim, voltaram a cometer o mesmo crime, em pouco tempo.

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