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Sílvia Lutucuta: Cerco sanitário deve manter-se em todo o país

Manuela Gomes e Xavier António

O número de pessoas com Covid-19 no país aumentou para 19, com o registo de mais dois casos positivos em cidadãos angolanos do sexo masculino, com 38 e 59 anos, provenientes de Portugal, anunciou ontem, em conferência de imprensa, a ministra da Saúde.

Ministra da Saúde revelou que 685 pessoas estão em quarentena institucional em Luanda
Fotografia: José Cola

Dos 19 casos positivos da pandemia, 15 são activos, dois recuperados e igual número de óbitos. Sílvia Lutucuta explicou que os dois indivíduos estavam internados nos centros de quarentena institucional e apresentavam um quadro clínico assintomático. Actualmente, acrescentou, os mesmos estão a ser acompanhados no centro de tratamento da Barra do Kwanza. “O Instituto de Investigação em Ciências da Saúde, o único laboratório de referência a nível do país, processou, até ontem, 1.094 amostras, sendo que 165 estão em processamento”, referiu a ministra.

Cerco sanitário

A ministra defendeu a continuação do cerco sanitário em todo país. “Angola já tem países vizinhos com circulação comunitária da Covid-19 como é a Namíbia, mas e estamos atentos aos casos na RDC e Zâmbia”, disse a ministra, para acrescentar: “ É importante termos a certeza que não há mobilidade até termos mais informações sobre o comportamento da pandemia no país e reduzir a circulação de uma província para outra. E a medida acertada foi fazer o cerco territorial".
A governante avançou que 685 pessoas estão em quarentena institucional em Luanda. Segundo a titular da pasta da Saúde, continua, pelo país, a formação e reforço das medidas de vigilância epidemiológica, laboratorial, assim como a atenção aos casos positivos sintomáticos e assintomáticos.
“Continuamos a fazer, do ponto de vista de vigilância epidemiológica e clínica, o acompanhamento dos contactos directos dos casos positivos e de, uma maneira geral, a continuidade das acções de melhoria das condições para o tratamento a nível nacional de eventuais doentes com Covid-19”, assegurou.
Sílvia Lutucuta apelou à população para a contínua observância das medidas de protecção individual e colectiva. “Estamos ainda em Estado de Emergência e o apelo vai para ficarmos em casa, porque o nosso objectivo é quebrar a cadeia de transmissão desta doença”, referiu.
A ministra da Saúde garantiu que, além das pessoas com condições financeiras e outros com seguros de saúde, as clínicas privadas têm uma relação com o sector público. “Sempre que precisamos de internar algum doente nosso com Covid-19 podem ser encaminhados para a Clínica Girassol, assim como na Endiama, em Luanda", disse.
Sublinhou que a unidade de saúde instalada na Barra do Kwanza possui também todos os cuidados, assim como capacidade para terapia intensiva, acrescentando que, existem outros hospitais a nível do país e têm sido orientados a melhorarem o sistema de tratamento.
Sílvia Lutucuta realçou que, o Ministério da Saúde não pode se opor em relação as pessoas que têm seguros ou recursos próprios em recorrem às clínicas privadas. Ressaltou ainda que muitos funcionários de empresas têm direito à assistência medica nestas unidades hospitalares privadas.
Esclareceu que muitas pessoas provenientes de Portugal e que se encontram a cumprir a quarentena domiciliar e que assinaram o termo de cumprimento desta directiva têm sido acompanhada, "mas muitas delas não forneceram correctamente os números telefónicos nem o local de residência".

Segurança dos médicos

Durante a intervenção, a governante informou que os profissionais de saúde que lidam directamente com os casos de resposta rápida, vigilância laboratorial, centros de quarentena, assim como nos centros de tratamentos de doentes, estão a trabalhar em escala.
“Foram definidas unidades hoteleiras que estão acolher os profissionais uma vez que se encontram numa posição de risco”, assegurou. Em relação aos cidadãos que estão no estrangeiro, a ministra assegurou que estão a ser acompanhados através do Ministério das Relações Exteriores, que fornece informações regulares. Igualmente, os consulados têm acompanhado todos os casos. “Tivemos uma morte em França e doentes internados na China, mas ainda não temos relatos de casos dos EUA e Brasil”, disse.
O Ministério da Saúde estima que, entre os dias 17 e 18, se a condição logística em termos de equipamentos laboratorial melhorar, vão ser feitas mais testagens, provavelmente em massa. “Temos apenas um equipamento com reagentes adequados a fazer testagem em todo país”, confirmou a ministra, sublinhando que outras alternativas estão a ser encontradas, uma vez que a capacidade diagnostica da Covid-19 está a evoluir. “Outros equipamentos de saúde também já podem ser utilizados e o país está atento a essa evolução, para aquisição de material", rematou.
"Queremos tranquilizar que, depois do dia 15 de Abril, teremos reagentes para um tipo de equipamento que é mais utilizado para o diagnóstico da tuberculose, mas já foram produzidos cartuchos para diagnosticar a Covid-19. Temos este equipamento em 15 províncias, sendo que capacidade de diagnóstico vai ser alargada. Também estamos a trabalhar com duas empresas, uma das quais inglesa, no sentido de conseguir testes rápidos até termos a capacidade diagnóstica nos municípios", enfatizou.
Segundo a titular da pasta da Saúde, quando o paciente testa positivo é acompanhado por via dos protocolos de tratamento instituído em várias latitudes. que já foi aprovada pela FBI o tratamento com cloroquina, assim como a ziclomecina e outros fármacos.
Lembrou que a infecção por Covid-19 é viral e que nos casos mais simples o tratamento na sua maioria é assintomático com febres, tosse, mas as vezes surgem outras complicações mais graves em que o tratamento em unidades dos cuidados intensivos é importante.

Médicos cubanos

No que toca aos custos financeiros que o Executivo vai gastar com a vinda ao pais dos médicos cubanos, Sílvia Lutucuta referiu que, a vida dos angolanos não tem preço, sublinhando que o objectivo é encontrar soluções para garantir o tratamento de qualidade a todos os angolanos em qualquer momento e todo lugar. Lembrou que o Ministério da Saúde realizou recentemente um concurso público e nos próximos tempos serão enquadrados no sistema de saúde, sobretudo nestas altura de luta contra à pandemia. “Temos de aceitar que não temos muitos médicos especialistas sobretudo, nas zonas mais longínquas do país que também precisam de um tratamento especial e de qualidade cumprindo com as recomendações da OMS”, asseverou.

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