Sociedade

Simão Souindoula repousa no Santa Ana

Os restos mortais do historiador Simão Souindoula repousam, desde ontem, no cemitério da Santa Ana, em Luanda, em acto fúnebre acompanhado pelo secretário de Estado da Cultura, João Constantino, familiares, colegas, intelectuais e amigos.

Testemunharam, também, o enterro o secretário permanente da Comissão Nacional para a Unesco em Angola, Manuel Teodoro Quarta, as antigas ministras da Cultura, Rosa Cruz e Silva (historiadora) e Ana Maria de Oliveira (antropóloga) e os antigos vices-ministros da Cultura,  Virgílio Coelho e Luís Kandjimbo e do Presidente do Conselho de Administração do Memorial Agostinho Neto, Jomo Fortunato.
O elogio fúnebre, na voz do director do Museu Nacional da Escravatura, Vladimiro Fortuna, destacou tanto o percurso de formação de Simão Souindoula, bacharel em Letras e Licenciado em História, em Brazzaville, em 1979, quanto á entrega abnegada à pesquisa histórica e cultural em que se dedicou durante cerca de quarenta anos.
De acordo com o elogio, Vladimiro Fortuna deu a conhecer a intenção do Ministério da Cultura em publicar em livro todos os artigos, resenhas e notas de autoria de Simão Souindoula.
Articulista de jornais e revistas quer nacionais quer estrangeiras, Simão Souindoula foi colaborador do suplemento “Vida Cultural” do Jornal de Angola, articulista do Jornal Cultura, ambas das Edições Novembro, há mais de trinta anos.
Dedicava-se também à crítica de arte, com forte pendor de análise no domínio das artes plásticas, fruto da sua proximidade com pintores, escultores, tecelãs, gravadores, ceramistas, fotógrafos, e demais profissionais.
Ainda no campo da crítica, assinou vários artigos em jornais e revistas, nacionais e estrangeiras, sobre cantores, escritores, actores, bailarinos, historiadores, e cineastas africanos.
Simão Souindoula defendia a instauração de uma indústria de artesanato, no país, ao contrário da actividade manufacturada, assim como a elaboração de um projecto que possibilite a produção artesanal de peças inéditas, que não são talhadas pelos artesãos por falta, quiçá, de criatividade.
Versátil, Simão Souindoula contribuiu, também, para a organização de eventos internacionais a favor da nossa cultura e história contemporânea, à semelhança do I Colóquio sobre Njinga Mbandi, que decorreu em Roma, realizado pela Embaixada de Angola na Itália, sob presidência do embaixador Manuel Pedro Pacavira.
A personalidade de Simão Souindoula é ímpar, pois, trata-se de um dos mais notáveis investigadores angolanos e africanos de sentido humorístico mesmo na abordagem de questões de pendor científico, artístico ou cultural.

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