Sociedade

Sindicalista aponta maus serviços como causa de mortes em hospitais

Rodrigues Cambala

O presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA) admitiu ontem, em Luanda, que muitas pessoas morrem nos hospitais do país por défice da qualidade de prestação dos serviços de saúde e falta de um espírito patriótico que emperra no enquadramento de mais médicos.

A maior parte dos médicos está quase em idade de reforma e alguns já em fase de não poderem fazer serviço de banco
Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

Em declarações ao Jornal de Angola, Adriano Manuel considerou que determinadas mortes também seriam evitadas caso fossem inseridos os médicos do último concurso público, realizado há um ano.

“Se for à porta de um cemitério e contabilizarem quantos enterros acontecem por dia, vai ver que ocorrem muitas mortes que seriam evitáveis se tivéssemos melhorado os serviços”, acentuou o sindicalista.
Por esta razão, o médico disse que o Sindicato dos Médicos prevê realizar uma manifestação daqui a 14 dias, com o objectivo de reclamar o atraso do processo de enquadramento dos novos médicos, que completou esta semana um ano.
“Ainda não estamos em período de chuva, mas os nossos hospitais estão superlotados. Temos doentes no chão e, de certeza absoluta, vamos ter um elevado número de doentes”, indicou o sindicalista, para adiantar que há necessidade de enquadrar-se, o mais rápido possível, os médicos para colmatar o défice existente no país.
Ao insistir que faltam condições de trabalho para um bom desempenho da actividade médica, o presidente do Sindicato dos Médicos fez saber que a classe médica está a ficar envelhecida e precisa de passar experiências aos mais jovens. Acrescentou que a maior parte dos médicos está quase em idade de reforma e alguns já em fase de não poderem fazer banco.
O sindicato está igualmente apreensivo com a situação dos bancos, uma vez que os médicos fazem mais de 24 horas e com agravamento de permanecerem mais oito do dia seguinte no hospital, perfazendo 34 horas, sem dormir. “Isto diminui, por um lado, a nossa qualidade de vida e, por outro, a qualidade de prestação de serviço dos nossos hospitais”, advertiu.
A marcha dos médicos está prevista iniciar no Largo da Independência e terminar na Assembleia Nacional, onde vai ser entregue um manifesto ao presidente do Parlamento e da comissão que trata de questões de saúde.
Adriano Manuel disse que o Sindicato dos Médicos pretende dialogar com o Ministério da Saúde, no sentido de resolver-se os problemas do sector, mas “infelizmente, não somos ouvidos e não temos outra alternativa senão forçar ao diálogo com manifestações e, se possível, com paralisações.”
O Sindicato dos Médicos está a negociar, nesta altura, com o Sindicato dos Enfermeiros e dos Trabalhadores da Saúde para realizarem uma grande manifestação, ou mesmo uma greve, para forçar o diálogo com o Ministério da Saúde.
O presidente do Sindicato dos Médicos discorda da pretensão de contratar-se médicos estrangeiros em detrimento dos nacionais. “Não precisamos médicos de família provenientes de Cuba, até porque temos, no país, médicos de família formados na Clínica Multiperfil”, disse, sublinhando que o país não precisa de gastar dinheiro com médicos estrangeiros.

MINSA responde ao Sindicato dos Médicos

Em reacção aos pronunciamentos do presidente do Sindicato dos Médicos, o director Nacional dos Recursos Humanos do Ministério da Saúde, Baptista João Monteiro, pediu calma e garantiu que dos 721 profissionais apurados no último concurso público, 414 começam a trabalhar no próximo mês de Setembro.
Falando à Radio Nacional de Angola, o responsável informou que, na verdade, não são 625, mas sim 721 médicos admitidos no concurso público de 2018.
Baptista João Monteiro explicou que todo processo se encontra no Tribunal de Contas, mas, disse que, felizmente, foram já despachados 414 médicos, cujos processos foram visados e que neste momento estão a ser inseridos no Sistema Nacional de Saúde. Acrescentou que, a partir do dia 1 de Setembro, começam a trabalhar, mas informou que na próxima semana devem, para o efeito, fazer o levantamento das respectivas guias em todo o país.
Os restantes, à medida que o Tribunal emitir a resolução, serão colocados.

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