Sociedade

SINPROF defende fim da monodocência

João Pedro

O Sindicato Nacional dos Professores (Sinprof) defende o fim do sistema de mono docência, na 5ª e 6ª classes, como um dos caminhos para o alcance da qualidade de ensino, disse ontem, em Luanda, o presidente da organização.

Fotografia: Dr

Falando na abertura do V congresso ordinário do Sinprof, Guilherme Silva afirmou que, caso se insista no sistema de mono docência, como tem vindo a ser implementado até ao momento, o Ministério da Educação não vai conseguir ver melhoradas, a médio prazo, a qualidade de ensino e aprendizagem no país.
Guilherme Silva informou que a mono docência foi implementada no sistema da educação, em 2011, no quadro da reforma educativa, na qual o processo de ensino é assegurado por um único professor em todas as disciplinas da 1ª à 6ª classe, do I Ciclo do Ensino Geral.
A 5ª e a 6ª classes têm nove disciplinas que, em princípio, devem ser asseguradas pelo mesmo professor, disse Guilherme Silva dando ênfase que este sistema é prejudicial para o sistema educacional.
O líder sindical informou que ainda existem dúvidas sobre o êxito da revisão curricular em curso, por não terem sido ouvidos todos os intervenientes, visto que o inquérito passou apenas por 8 províncias e nele não consta questões inerentes à mono docência e à transição automática.
Guilherme Silva disse ainda que o Decreto Presidencial 160/18, de 3 de Junho, sobre o Estatuto dos Agentes da Educação está a ser mal interpretado por parte dos gestores escolares, declarando que há professores que leccionam duas a três disciplinas e outros a labutarem em dois ou três períodos para compensarem a carga horária.
“Esta reivindicação fará parte de um caderno reivindicativo que sairá do encontro e, em seguida, remetido ao Ministério da Educação”, garantiu o responsável sindical.
Guilherme Silva afirmou que no caderno reivindicativo, a ser entregue brevemente, consta ainda a situação da valorização por tempo de serviço, a transição automática, o excesso de alunos por salas de aula, o subsídio de isolamento, bem como a mudança de paradigma na nomeação dos gestores escolares, para eleição.
O presidente do Sinprof salientou que a não contagem do tempo de serviço é um elemento discriminatório que não enaltece a classe e que lesa particularmente os docentes que durante anos deram o seu saber e que agora estão prestes a ir para a reforma.
“Não concordamos que o professor que tem mais de 10 anos de serviço tenha o mesmo salário com aquele que está a começar a carreira”, disse, afirmando que o tempo de serviço vai continuar a ser a luta dos professores até ser resolvido.
O V congresso ordinário do Sinprpf está a decorrer sob o lema “Por um ensino de qualidade em defesa do tempo de serviço”. Durante dois dias, os participantes vão analisar a situação interna dos membros, a revisão do estatuto e eleger o novo presidente.

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