Sociedade

Taxa de fecundidade no país é das mais altas do mundo

Manuela Gomes

Angola tem das taxas de fecundidade mais elevadas do mundo, estimada em 6.2, na qual cada mulher sexualmente activa tem entre dois a seis filhos, revelou o Ministério da Saúde, num estudo sobre a Estratégia Nacional de Planeamento Familiar no período 2017-2021.

Estudo diz que 34 por cento das mulheres angolanas tiveram primeiro filho na adolescência
Fotografia: Agostinho Narciso | Edições Novembro

De acordo com o estudo, a taxa de fecundidade em Angola varia de 5.3 na área urbana, ou seja, cada mulher sexualmente activa tem três a cinco filhos, e 8.2 na área rural (dois a oito filhos).
A fertilidade entre as adolescentes é elevada, sendo que 34 por cento das mulheres angolanas tiveram o primeiro filho ainda durante a fase de adolescência.
E em algumas zonas do país, a fertilidade na adolescência é ainda mais elevada, representando por isso “um grande problema de saúde pública”, a julgar pelo facto de as jovens que engravidam entre os 15 e os 19 anos enfrentarem o dobro da probabilidade de morte materna.
A alta taxa de fecundidade no país, segundo o estudo, está  associada a uma baixa utilização dos métodos contraceptivos entre mulheres sexualmente activas, bem como o acesso limitado aos serviços de saúde.
Outros aspectos que concorrem para a baixa utilização dos métodos de contracepção estão relacionados com as crenças religiosas, a pobreza, a escassez de recursos financeiros e a falta de envolvimento do homem em questões do planeamento familiar.
O estudo refere que nos últimos dez anos o país tem vindo a registar uma redução na taxa de mortalidade materna, tendo passado de 1.400 para 477 por 100 mil nascidos vivos. “Apesar disso, ainda é um dos grandes desafios, considerando a taxa aceitável determinada pela Orga-
nização Mundial da Saúde (OMS) que é de 20 para cada 100 mil nascidos vivos”, descreve o documento.
A mortalidade neonatal é de 24 por mil nascidos vivos e a de menores de cinco anos é de 44 por mil nasci-dos vivos. O Ministério da Saúde, sublinha o documento, tem realizado esforços significativos na descentralização dos serviços de saúde, com foco no município, tendo como prioridade a oferta de cuidados e serviços integrados de saúde sexual e reprodutiva, incluindo o planea-
mento familiar.
É neste âmbito que o sector elaborou a Estratégia Nacional de Planeamento Familiar para orientar e fornecer directrizes, normas para o fortalecimento desta componente integrada no pacote de serviços e cuidados de saúde sexual e reprodutiva, incluindo o controlo da malária e a prevenção do VIH/Sida, como parte dos cuidados primários de saúde.
A estratégia tem como objectivo principal servir de instrumento fundamental para o desenvolvimento e implementação de planos operacionais eficazes que vão guiar as equipas de profissionais e técnicas do Sistema Nacional de Saúde no processo de integração de serviços de planeamento familiar.
É também finalidade, harmonizar e reforçar as respostas que o Sistema Nacional de Saúde apresenta para redução da morbilidade e mortalidade materno-in-fantil e a prossecução dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.

Dados sociodemográficos
A população de Angola é de 25,789.024 de habitantes e as mulheres correspondem a 52 por cento deste total. Cerca de cinco milhões de mulheres estão em idade fértil, entre os 15 e os 49 anos.
Aproximadamente três quartos da população angolana, 72 por cento, estão concentrados em sete províncias do país. Entre estas, cinco situam-se na região centro-sul e totalizam dez milhões de habitantes, correspondente a dois quintos da população, 39 por cento.
O risco de morte em adolescentes com idades compreendidas entre os 15 e os 19 anos que engravidam é o dobro em relação às mulheres acima dos 19 anos e é cinco vezes mais em gestantes menores de 15 anos.
A mortalidade materna é também mais elevada em mulheres que engravidam em curto espaço de tempo (menores de dois anos) após um parto. “O espaçamen-to saudável das gravidezes é uma medida comprova-da para a redução da mortalidade e da morbilidade materno-infantil”, lê-se no estudo.

Tempo

Multimédia