Sociedade

TCUL abre rota para o Kilamba

Edivaldo Cristóvão

O transtorno vivido diariamente por moradores da Cidade do Kilamba, na deslocação de e para casa, é uma novela que pode estar a caminhar para o fim, na sequência da celebração de um acordo entre a administração da nova urbanização e a empresa de Transportes Colectivos Urbanos de Luanda (TCUL).

O administrador João Baptista Domingos, que confirmou ao Jornal de Angola a celebração do acordo, informou que, a partir do próximo mês, a TCUL vai abrir duas rotas, uma com destino à Mutamba e outra ao Porto Comercial de Luanda.
João Domingos não especificou o dia em que a TCUL vai começar a operar na Ci-dade do Kilamba por não ter sido decidido ainda o preço da viagem e as paragens, estando o assunto a ser analisado em encontros que a administração e a TCUL estão a realizar com as comissões de moradores da Cidade do Kilamba.
Por força do acordo, está prevista, além das duas rotas externas, também a circulação de mini-autocarros dentro da Cidade do Kilamba, construída para albergar uma população estimada em 150 mil habitantes, 30 mil dos quais referentes à população do KK5000, que é a extensão do projecto habitacional.
O preço já definido para a circulação interna é de 50 kwanzas, informou o administrador da Cidade do Kilam-ba, que, quanto ao preçário para as duas rotas externas, disse estar em discussão um valor não superior a 600 kwanzas por cada bilhete.
Este valor é defendido pelas comissões de moradores da Cidade do Kilamba, mas não se chegou ainda a um consenso com a TCUL, por esta empresa defender 1.600 como preço de ida e volta.
O administrador afirmou que, quando o acordo entrar em vigor, em Abril, a carência registada nos transpor-tes públicos vai ser reduzida significativamente.
Os autocarros que vão estar em circulação têm comodidade e conforto, po-dendo o passageiro fazer uso do serviço de Internet, acentuou o administrador, garantindo que não vai haver ex-
cesso de lotação nem confusão no acesso aos autocarros da TCUL. Uma das duas rotas externas vai passar pela Samba, enquanto a outra está definida para passar pela Avenida 21 de Janeiro.
Moradores contacta-dos pelo Jornal de Angola aplaudiram a celebração do acordo, que vai aliviar a aflição diária resultante da inexistência de empresas de transportes públicos na Cidade do Kilamba, por onde circulam apenas táxis que cobram por pessoa 150 kwanzas.
Para o morador Walter Jacinto, a TCUL não pode estipular o mesmo preço praticado pelo serviço de táxi no percurso Kilam-ba-Mutamba, por o seu objecto social ser de utilidade pública.
“Por mim, cada viagem tinha de custar 450 kwanzas pelo menos, o que corresponde a 900 kwanzas para ida e volta”, disse o morador, que adiantou ser uma das vantagens do acordo a conservação das viaturas pessoais, que po-dem ser usadas apenas aos finais de semana.
Outra vantagem é a diminuição do stress causado pelos engarrafamentos.
O número de autocarros ainda não está definido, estando condicionado ao número de passageiros que pretendem aderir às duas rotas externas.
Um levantamento está a ser feito pela empresa de transportes públicos para aferir o número de pessoas interessadas. Os passageiros vão poder comprar bilhete com um mês de antecedência, não havendo ainda uma informação se podem beneficiar de descontos. 

Centralidade às escuras

Até Dezembro último, cerca de 85 por cento da Cidade do Kilamba tinha iluminação pública, mas actualmente o cenário é desolador, porque várias áreas da nova urbanização estão às escuras.
A administração justifica que a chuva tem sido um dos principais causadores da falta de iluminação pública por danificar os cabos de alimentação, além da rescisão do contrato com a empresa responsável pela manutenção ao sistema de iluminação pública.
Alguns postos de transformação de energia para a iluminação pública estão avariados e continuam nesse estado até hoje. A Cidade do Kilamba precisa de 121 milhões de kwanzas por mês, para tratar da iluminação pública, dos jardins, da recolha de lixo, da poda de árvores e da manutenção do saneamento básico. Mensalmente, a administração da Cidade do Kilamba recebe do Ministério das Finanças apenas quatro milhões de kwanzas, valor insuficiente, segundo João Baptista Domingos. 
A segurança pública foi também mencionada pelo administrador, que disse haver uma conexão entre a administração e a Polícia Nacional, tendo inclusive a administração disponibilizado meios técnicos para a melhoria do sistema de vigilância. A Cidade do Kilamba dispõe de quatro esquadras, um posto e um destacamento da Polícia Nacional.
O administrador reconheceu que a Polícia tem sido incansável na caça aos  marginais, alguns dos quais já detidos. “Pedimos a colaboração dos moradores para denunciarem os marginais e participarem nas reuniões convocadas pela Polícia", disse o administrador.
A Cidade do Kilamba é habitada desde 2012 e até hoje tem carência de alguns equipamentos sociais, como hospital materno-infantil, Serviço Integrado de Atendimento ao Cidadão (SIAC), mercado municipal, espaço para velórios, sala de conferências, casa para a juventude e centro cultural.

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