Sociedade

Torneiras secaram no município de Cacuaco

Augusto Panzo, Avelino Umba, e Alexa Sonhi | Cacuaco

A vila de Cacuaco está há três semanas sem água corrente, uma situação que está a complicar a vida dos populares residentes, que são obrigados a recorrer aos reservatórios de vizinhos para adquirir o precioso líquido ao preço de 50 kwanzas por cada bidão de 25 litros.

Coordenador do bairro mostra ruptura de água em Cacuaco
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

A população está agastada com a situação, porque, para dar solução a esse problema, recorrem a alguns jovens que acarretam o líquido, pagando outros cinquenta kwanzas por cada vasilha de 25 litros.

Noutros casos, as próprias senhoras vão até à fonte em busca de água, limitando-se apenas a pagar o valor correspondente ao preço do bidão ao proprietário do tanque ou da torneira que jorra água corrente.
Madalena Vieira Dias, trabalha no mercado municipal, lamenta a prolongada seca que se vive na vila de Cacuaco, pois, já lá vão três semanas sem água corrente, e diz ser muito fastidiosa a tarefa de acarretar água à distância.
“É muito trabalho. Estamos a passar muito mal desde que a água foi. Já lá vão três semanas e não sabemos quando é que a situação volta à normalidade. É complicado, porque temos que ir acarretar água ali em cima com bidões”, disse.
Laurinda Augusto, moradora no bairro da Cal, suplicou à EPAL que resolva a situação o mais rápido possível. Vladimir Henda, porta-voz da EPAL, disse ao Jornal de Angola que a falta de água na vila de Cacuaco deve-se a uma ruptura na conduta de 250 mm, que passa pela Nova Urbanização, cujos trabalhos de reparação da avaria já começaram.

Rupturas constantes

Mais de 700 moradores da Nova Urbanização, em Cacuaco, estão sem água, há mais de um mês, devido às constantes rupturas nas tubagens da rede.
A maior ruptura, na conduta principal da rede de distribuição de água para a Nova Urbanização, está localizada junto ao Largo das Escolas, ou seja, na Escola Politécnica.
O Jornal de Angola esteve no local e constatou o facto, onde quantidades enormes de água para o consumo humano são desperdiçadas todos os dias, num local onde as crianças e adolescentes da zona fazem de piscina.
De acordo com Manuel Fernandes, coordenador daquela circunscrição, a referida ruptura existe, há mais de um ano. “A ruptura existe pelo facto de não se conseguir descobrir a válvula desta linha, que possa permitir o fecho de água para a reparação da avaria.
A EPAL tem consciência de que há perdas de água por causa das rupturas. Esta situação devia ser resolvida rapidamente, porque são fáceis de resolver para o bem comercial, onde as receitas seriam úteis para ajudar a combater as perdas reais.

Seca nos Mulenvos

Apesar de a Estação de Tratamento e Distribuição de Água dos Mulenvos estar localizada nos Mulenvos de Cima, a falta do precioso líquido é uma constante e, durante esse ano, contam-se as vezes que o mesmo jorrou das torneiras, o que tem provocado uma procura sem precedentes, situação que tem sido aproveitada pelos utentes de camiões cisternas e os “kupapatas de três rodas” a elevar o preço do produto.
Se antes, a água jorrava à fartura nos Mulenvos de Cima, hoje, a história é de seca das torneiras, o que tem agudizado o sofrimento dos moradores daquela zona do Quilómetro 14, afecta ao município de Viana. A falta de água também constitui uma dor-de- cabeça para os moradores dos Mulenvos de Baixo. Não obstante os vários apelos feitos à EPAL no sentido de reverter o quadro, a situação mantém-se inalterável.
Luís Vicente, administrador do Distrito dos Mulenvos, disse que a EPAL foi várias vezes contactada para o esclarecimento da situação e alega que “a empresa não tem ainda capacidade para distribuir água para todos.”
Sendo assim, foram colocados chafarizes em alguns pontos do Distrito, onde a população acorre todos os dias em busca de água ao preço de 10 kwanzas o bidão.

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