Sociedade

Trânsito na via do Panguila ainda é feito com deficiência

Kilssia Ferreira

Há duas semanas, era quase impossível circular na via Luanda-Panguila ou ainda para as províncias do Bengo e outras do norte do país, como Uíge e Zaire, e vice-versa.

A normalidade do trânsito no troço fica reposta logo que forem concluídas as obras
Fotografia: Agostinho Narciso|Edições Novembro

A degradação da ponte sobre a lagoa do Panguila, construída em 1968, esteve na base do congestionamento do trânsito rodoviário naquele perímetro.
Pela via, eram vistas filas enormes de vários quilómetros de viaturas, mas para atenuar a situação foi criada uma via alternativa que desafogou ligeiramente o trânsito. Ontem, a reportagem do Jornal de Angola constatou no local o movimento de pessoas e viaturas, além das obras que estão a ser feitas pela Mota Engil para recuperação da ponte que apresenta fissuras enormes.
Contactados alguns responsáveis da empresa Mota Engil, quanto ao tempo que levarão as obras de intervenção na ponte, recusaram-se a falar para a nossa reportagem, remetendo o assunto à entidade de direito, neste caso o Ministério da Construção, para qualquer pronunciamento acerca do trabalho que está a ser efectuado no local.  
Um dos técnicos em serviço, que falou sob anonimato, explicou que neste momento está em estudo a substituição dos pilares que estão desunidos, o que faz com que a ponte não garanta nenhuma segurança.
Esclareceu, por outro lado, que uma ponte bem projectada tem a duração de 50 anos, referindo o caso da do Panguila, erguida em 1968 e concluída em 1972,  começou por ruir por falta de manutenção, o que considerou grave, por ser uma via que dá acesso às províncias do Bengo, Uíge e Zaire.
Mbando André, engenheiro técnico de construção civil, que habitualmente passa pelo traçado, lamentou a situação e disse que antes de se erguer uma ponte num determinado local é importante que se faça um estudo profundo do terreno, o que muitas vezes não acontece no nosso país.
“Antes, o terreno deve merecer uma análise, se é ou não capaz de receber os pilares. Saber se no chão é possível fazer um alicerce bem sólido para os cabos de suspensão serem ancorados. Se a ponte passa pela água, é importante saber como evitar que seja arrastada pelo curso de um rio”, advertiu.
 Apesar dos esforços, a circulação é ainda feita com alguma deficiência, sobretudo para quem sai de Luanda para o Panguila, tudo porque os automobilistas criam mais de quatro faixas de rodagem, comprometendo o trabalho dos agentes reguladores de trânsito.
Os que mais criam constrangimentos na via são os taxistas que, inclusive, ignoram os sinais. Também aproveitam-se da situação para aumentar o preço da corrida e o cidadão, diariamente, vê-se na obrigação de desembolsar um valor acima do habitual ou do previsto.              
No sentido inverso, ou seja, para quem sai do Panguila para Luanda, o trânsito faz-se com maior fluidez, salvo em algumas horas do dia, como das 15h00 às 20h00, altura em que boa parte dos funcionários, muitos dos quais trabalham no Bengo, está de regresso a Luanda.
O agente regulador de transito, Pedro Simão, disse à reportagem do Jornal de Angola  que nas ultimas 24 horas registou um acidente, envolvendo um turismo e um camião  devido à cedência de passagem, tendo resultado em danos materiais.
Do acidente, continuou, não houve mortos nem feridos, mas complicou a situação rodoviária que nos últimos dias não tem sido nada fácil para quem diariamente passa por esta via.
Em relação às longas filas que se registam, embora já em menor escala, Pedro Simão atribui a responsabilidade aos automobilistas desordeiros que não cumprem com as regras, criam quatro faixas e acabam por embaraçar o trânsito. 
O agente regulador de trânsito deu a conhecer que o congestionamento começa por volta das 7 horas e vai até às 11h00, altura em que se observa um ligeiro abrandamento.
António Lopes Teixeira, de 72 anos, que se dedica à pesca fluvial desde 1961, disse que sempre pescou nos arredores da ponte do Panguila e o congestionamento que se verifica na via em nada tem ajudado na rentabilização do seu negócio.
“Aqui, pesco de tudo um pouco, entre cacusso, bagre e outras espécies de peixe. Agora, encontro dificuldade para comercializar o produto, pois os potenciais clientes temem enfrentar o engarrafamento. A ponte só apre-senta fissuras por falta de manutenção. Pelo que vejo e pelo tempo que foi construída, re-comendo que se ergue uma outra, em substituição desta”, aconselhou o pescador António Teixeira.  Mbando André, automobilista, disse que diariamente utiliza aquela via para entrega de mercadoria a alguns clientes.

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