Sociedade

Transportes ponderam requisitar trabalhadores

Edivaldo Cristóvão

O Ministério dos Transportes pondera fazer requisição civil, caso os trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) não suspendam a greve nos próximos dias, disse ontem o director-geral do Instituto Nacional dos Caminhos-de-Ferro de Angola.

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Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

Ottoniel Miguel explicou que a requisição civil permite a suspensão temporária de alguns trabalhadores que persistirem na greve e é permitido em caso de defender o interesse nacional. Alguns maquinistas e condutores podem sair do Namibe e Benguela.
As medidas estão a ser tomadas em coordenação com o Ministério da Administração Pública Trabalho e Segurança Social (MAPTSS) e os órgãos de defesa e segurança nacional, procurando assegurar a tranquilidade e normalidade da circulação ferroviária do CFL o mais rápido possível.
O Ministério dos Transportes e o conselho de administração do CFL prometem desencadear todos os actos que acharem convenientes, do ponto de vista disciplinar, civil e criminal para a responsabilização de todos aqueles que tiverem como fim último prejudicar os interesses da empresa, da população e da economia. “Se o sindicato continuar com a greve dos trabalhadores do CFL, vamos recorrer à legislação, fazendo com que as entidades extras à empresa façam cedência do pessoal relevante, aqueles que têm influência directa na exploração do comboio, por exemplo, maquinistas, condutores e revisores, vindos do Namibe e Benguela”, disse o director-geral do Instituto Nacional dos Caminhos de Ferro de Angola.
Ottoniel Manuel lembrou que, desde o início da greve, o CFL sempre disse aos trabalhadores que não tinha capacidade para suportar a subida dos salários em 80 por cento. “O Caminho-de-Ferro de Luanda é uma empresa deficitária, com uma exposição excessiva aos subsídios operacionais, que tem uma receita mensal que está à volta dos 36 milhões de kwanzas, mas não tem rendimentos suficientes para suportar esses custos”, referiu.
O dirigente realçou que no encontro da última sexta-feira entre o ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu, o secretário-geral da Central Geral de Sindicatos Independentes Livres de Angola (CG-SILA) e da comissão sindical dos trabalhadores do CFL, mediado pelo MAPTSS, ficou acordado a elaboração de um programa de aumento de tarifas de forma a aumentar o volume de receitas, numa perspectiva contínua e participativa.

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