Sociedade

Uma vida de um jovem devotada às causas sociais

Rui Ramos

Guilherme André Francisco, em casa tratado por Candondo, nasceu em 1997, no município de Viana, em Luanda, filho de Cipriano João Gomes Francisco e de Madalena André Francisco.

Guilherme Francisco arranjava técnicas para não ser expulso do colégio

Em criança Guilherme André Francisco não vislumbrava as dificuldades, enfrentadas pela família, de classe humilde, as quais viria a compreender apenas na adolescência. Os pais matricularam-no, apesar das grandes dificuldades financeiras da família, no Colégio Tungo ya Tena, por serem informados de que não havia vaga na escola pública.
Guilherme André Francisco enfrentou insultos de colegas, filhos de famílias com mais possibilidades financeiras, porque usava sempre as mesmas calças e sapatos. Na casa de Guilherme André Francisco as necessidades básicas eram satisfeitas com muita luta diária. Ele ajudava a mãe a vender à porta de casa, era a sua actividade extracurricular. Atendia os colegas e vizinhos e depois na escola ouvia os insultos. “Foram momentos imensamente difíceis para mim, ainda uma criança”.
Guilherme André Francisco arranjava técnicas para não ser expulso ou impedido de entrar no colégio por não pagar a propina. Ele e o Igor, um dos irmãos que a escola lhe deu, trocavam comprovativos bancários. “Habitualmente chegávamos juntos ao colégio e um de nós ficava escondido para apresentar o comprovativo, não sei se os seguranças liam ou não, fizemos isso durante muitos anos para continuarmos os estudos”.
A lembrança de estudar durante anos com apenas um par de ténis permanece até hoje. “Em pleno último dia de prova do trimestre, os meus sapatos apresentavam sinais de se estragar completamente, a poucos metros do colégio um cortou ao meio, estava eu ao lado do Igor alegando não poder fazer a prova já que a entrada com chinelas ou sandálias era proibida. Graças à força dada por ele, consegui chegar ao colégio arrastando o pé, simulando uma lesão. Questionado pelos seguranças e professores, aleguei ter contraído uma lesão num jogo de futebol”.
Guilherme André Francisco recorda as dificuldades que a família passava por causa das chuvas, a casa de pau-a-pique que inundava completamente, e ele tinha de dormir em cima de uma pequena mesa enquanto os pais tentavam retirar a água do interior da casa durante toda a noite.
Aos 15 anos Guilherme André Francisco sonhava ser advogado e jornalista, esta última profissão por influência do pai, um homem muito ligado à rádio.
A magia da rádio levou-o a estudar Jornalismo como paixão. O esforço quotidiano dos pais para proporcionarem o melhor apesar das dificuldades, incentivou Guilherme André Francisco a estudar sempre, sem desfalecimentos, a ler e a seguir novas experiências.
Aos 16 anos, Guilherme André Francisco decidiu juntar-se ao extinto Onda Cajuv, um movimento ligado à Casa da Juventude de Viana que congregava jovens para debates e actos de solidariedade, de que chegou a ser coordenador. Dois anos depois, Guilherme André Francisco participa no Concurso Sábados Académicos, em representação do seu Colégio e foi distinguido como estudante de mérito a nível de Viana e depois de Luanda, pelo que representou a capital na fase nacional, na qual, juntamente com mais quatro colegas, ficou na sétima posição.
Com a extinção do Onda Cajuv, Guilherme André, antes dos 20 anos, decidiu, com mais dois colegas, formar a GAI, uma organização dedicada à realização de palestras motivacionais para ajudar os jovens dos subúrbios de Luanda.
A primeira actividade foi no Colégio Tungo ya Tena, no bairro Caop, com a colaboração de Vítor Hugo Mendes.
Ao finalizar o ensino médio em Ciências Económicas e Jurídicas, Guilherme André Francisco recebe um convite para se juntar à revista “Aposta”, sem qualquer remuneração, desafio que aceitou, e, dois anos mais tarde, para escrever para o site Angola Online, como principal repórter e redactor.
Em paralelo, Guilherme André Francisco trabalhava como realizador de palestras para a juventude. Decide então investir na formação e optou por cursos e pela compra de livros.

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