Sociedade

Vacina contra a pólio

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está a financiar uma pesquisa como parte dos esforços para descobrir um substituto para a vacina contra a pólio.

Fotografia: Domingos cadência| Edições Novembro

A doença, que pode causar paralisia permanente, já não é uma ameaça na maior parte dos países do Mundo, mas a infecção ainda não foi erradicada.
As actuais vacinas contra a poliomielite são produzidas a partir de grandes quantidades de vírus vivos, mas a pesquisa desta vez está a fazer recurso a plantas para a produção de uma vacina que pode transformar a forma de fabricação de imunizantes.
A crença por uma nova vacina é de cientistas do Centro John Innes, na Inglaterra, que dizem ser a produção de uma vacina contra a poliomielite com recurso a plantas um processo barato, fácil e rápido.
“Esse estudo coloca-nos mais próximos de substituir a actual vacina contra a poliomielite e dá-nos uma opção barata e viável para produzir vacinas com base em partículas semelhantes ao vírus”, comentou Andrew Macadam, cientista chefe do Instituto Nacional para o Controlo e Padrões Biológicos do Reino Unido.
Além de ajudar a eliminar a poliomielite, a nova abordagem pode ajudar o Mundo a reagir de forma mais imediata contra ameaças inesperadas, como o vírus da zika ou o do ébola, afirmam cientistas do Centro John Innes.
A vacina usa partículas que imitam o vírus da poliomielite. Do lado de fora, as partículas são quase idênticas ao vírus, mas - como a diferença entre um manequim e uma pessoa - estão vazias por dentro.
Os cientistas dizem que as partículas têm as características necessárias para treinar o sistema imunológico, mas não têm “armas” para causar uma infecção. Os cientistas “enganaram” o metabolismo da planta do tabaco para servir de “fábrica” da vacina.
Primeiro, precisavam de criar novas instruções para a planta seguir. Para isso, usaram o código genético do vírus da poliomielite para fabricar a parte externa da partícula. E combinaram esse material com informações de um vírus do solo que infecta plantas como a do tabaco.
Instruções genéticas
Com a infecção em curso, as plantas então leram as novas instruções genéticas e começaram a fabricar partículas similares ao vírus.
As folhas infectadas eram misturadas com água e a vacina contra a poliomielite foi extraída.As partículas similares ao vírus preveniram a pólio em experiências com animais e uma análise da sua estrutura de 3D mostrou que elas eram quase idênticas ao vírus da poliomielite.
“Elas são cópias incrivelmente boas”, afirmou à BBC News o professor George Lomonossoff, do Centro John Innes. “É uma tecnologia muito promissora. Espero que tenhamos vacinas produzidas a partir de plantas num futuro não tão distante”, acentuou o cientista.
Se os pesquisadores tiverem descodificado a sequência correcta de um código genético de um agente nocivo, podem vir a ser produzidas vacinas para combater qualquer vírus.
Plantas já têm sido utilizadas em pesquisas para servirem como fonte para a vacina contra a gripe, por exemplo. E também foram usadas plantas para fabricar anti-corpos como os da terapia contra o cancro.
Denis Murphy, professor de biotecnologia na Universidade do Sul de Gales, disse que “essa é uma conquista importante”.
No seu entender, o desafio é agora optimizar o sistema de expressão da planta e utilizar a vacina para testes clínicos em humanos.
O vírus da poliomielite ainda circula na maioria dos países em desenvolvimento,  em alguns dos quais são realizadas campanhas dinâmicas contra a doença. Angola, por exemplo, não regista nenhum caso há cerca de dois anos. Mesmo assim a vigilância epidemiológica continua em todo o país.

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